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É TUDO VERDADE: Após 20 anos, diretor revê luta dos índios Corumbiara

Cineclick - http://cinema.cineclick.uol.com.br/noticias/index.php?id_noticia=22705
Autor: Heitor Augusto
27 de mar de 2009

A naturalidade com que a câmera entra no protegido universo dos índios Corumbiara é o grande triunfo do documentário Corumbiara, de Vincent Carelli, integrante da mostra competitiva do É Tudo Verdade - Festival Internacional de Documentários. O cineasta e indigenista retoma o massacre ocorrido em 1985 e refaz uma trajetória de vinte anos cujos efeitos se refletem no presente.

Carelli consegue a confiança dos índios, o que é fundamental para amenizar e naturalizar a presença da câmera. Ela registra o cotidiano, o idioma, os métodos, o comportamento, o medo e a luta de uma família de quatro pessoas, únicas restantes de uma etnia.

O trabalho do documentarista começou em 1986, quando ele foi para Rondônia buscar provas do massacre dos índios, no qual o Estado, recém saído das mãos dos militares, se omitiu inteiramente. "Com esse tema, conseguiria dar ao vídeo a função de militante", diz o cineasta no início do documentário.

Essa foi a perspectiva inicial de Carelli. Os anos se passaram, muitas frustrações e alegrias entraram na conta do cineasta. E o trabalho que ele apresenta em Corumbiara é o recolhimento das imagens acompanhadas de reflexão e análise, em primeira pessoa, das experiências vividas e da situação política do índio no Brasil.

A respeito das imagens como registro, o cineasta consegue imagens valiosas de um pedaço que ajuda a entender o que é o Brasil. Para um espectador urbano, o filme apresenta, sem romantismos, como eles tentam tirar os males interiores, se aproximam de quem querem casar, suas rixas e a alegria de reencontrar parentes que consideravam mortos. Documento, registro em imagens.

Mas há a outra perspectiva, que não pertence ao passado, mas sim à História, ou seja, em mutação. Trata-se da preservação de seus espaços, a manutenção de reservas, a destruição causada pelos latifundiários, madeireiros e plantadores de soja. Nos últimos 20 anos, Carelli fez diversas investidas para provar, como cinegrafista, o quão prejudicados têm sido os índios.

Ameaças à bala, corrupção, poder político, silêncio dos moradores são alguns componentes que explicam porque os proprietários de fazendas não são punidos. E isso se reflete ao longo das quase duas horas de Corumbiara. Discussão mais que atual, já que o STF decidiu pela manutenção recentemente pela manutenção da reserva Raposa Serra do Sol.

O documentário tem um tom similar ao emocionante Cabra Marcado para Morrer, de Eduardo Coutinho, que volta após 20 anos para documentar os personagens militantes que participaram de uma experiência artística. Corumbiara tem a mesma habilidade narrativa e duas grandes portas de entrada: o registro de uma parte do Brasil e os caminhos políticos. A decisão é do espectador.

Sessões de Corumbiara

CINESESC (SÃO PAULO) - Sábado (28/03), às 21h
CINESESC (SÃO PAULO) - Domingo (29/03), às 15h
CENTRO CULTURAL BANCO DO BRASIL (SÃO PAULO) - Terça-feira (31/03), às 13h
UNIBANCO ARTEPLEX (RIO DE JANEIRO) - Segunda-feira (30/03), às 20h
UNIBANCO ARTEPLEX (RIO DE JANEIRO) - Terça-feira (31/03), às 14h
OI FUTURO (RIO DE JANEIRO) - Quarta-feira (01/04), às 19h30
CENTRO CULTURAL BANCO DO BRASIL (BRASÍLIA) - Quarta-feira (22/04), às 18h30
CENTRO CULTURAL BANCO DO BRASIL (BRASÍLIA) - Quinta-feira (23/04), às 20h30

Confira a programação desta sexta-feira (27/3) do É Tudo Verdade - Festival Internacional de Documentários:

São Paulo
CINESESC
Rua Augusta, 2.075

15h - Problema é Comigo (Trouble Is My Business), de Juliette Veber
17h - Além do Jogo (Beyond The Game), de Jos de Putter
19h - Ôri, de Raquel Gerber
21h - Segundas Sangrentas & Tortas de Morango (Bloody Mondays & Strawberry), de Coco Schrijber/ Pies, de Coco Schrijber

CENTRO CULTURAL BANCO DO BRASIL
Rua Álvares Penteado, 112 - 1o andar

13h - VJs de Mianmar - Notícias de um País Fechado, de Anders Høgsbro Østergaard
15h - Tias Duronas, de Kim Longinotto
17h - Tudo é Relativo, de Mikala Krogh
19h - Perturbados, de Kazuhiro Soda

CINEMATECA BRASILEIRA
Largo Senador Raul Cardoso, 207

Sala BNDES
21h - Relief/ Agosto: Um Momento Antes da Explosão

Rio de Janeiro
UNIBANCO ARTEPLEX - SALA 6
Praia de Botafogo, 316

14h - O Segredo (The Secret), de Edgar Feldman / Segunda Vida (Second Me), de Anna Thommen / Arrancando a Alma (Severing the Soul), de Barbara Klutinis / Escravos (Slaves), de Hanna Heilborn, David Aronowitsch
16h - Coração Negro (Black Heart), de Ada Bligaard Søby / Bem Longe de Casa (Home Away From Home) de Marika Väisänen / Chirola (The Chirola), de Diego Mondaca / Zietek, de Bartosz Blaschke / Areias Vermelhas (Red Sands), de David Procter
18h - Z32, de Avi Mograbi
20h - Cildo, de Gustavo Rosa de Moura
22h - Am I Black Enough For You - A História de Billy Paul (Am I Black Enough for You), de Göran Olsson

CENTRO CULTURAL BANCO DO BRASIL
Rua Primeiro de Março, 66

12h30 - Coração Negro (Black Heart), de Ada Bligaard Søby/ Bem Longe de Casa (Home Away from Home), de Marika Väisänen/ Chirola (The Chirola), de Diego Mondaca/ Zietek (Bartosz Blaschke), de Bartosz Blaschke/ Areias Vermelhas (Red Sands), de David Procter
14h30 - Am I Black Enough For You - A História de Billy Paul (Am I black Enough for You), de Göran Olsson
16h30 - René, de Helena Trestikova
18h30 - Retorno a Fortin Olmos (Return to Fortin Olmos), de Patricio Coll e Jorge Goldenberg
20h30 - Esquecido Papai (Forgetting Dad), de Rick Minnich e Matt Sweetwood

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