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Dúvida: lavar o lixo ou poupar a água?

OESP, Cidades, p. C5
20 de abr de 2004

Dúvida: lavar o lixo ou poupar a água?
Sabesp pede economia de água; mas Prefeitura diz que lixo sujo não pode ser reciclado

Mauro Mug

Entre a campanha da Sabesp para economizar 20% no consumo da água e a da Prefeitura, que estimula a lavagem do lixo reciclável, a dona de casa Ester Gimenes Funez, de 65 anos, moradora do Jardim Bonfiglioli, zona oeste, está em dúvida. "Não sei se colaboro com a Sabesp ou com a Prefeitura."
Enquanto Ester aguarda pelo parecer dos filhos, a 5 quilômetros de sua casa, no Parque Continental, Aparecida Parra Chacon, de 66 anos, já se decidiu:
"Não vou aumentar meu consumo de água para limpar coisas que não têm mais utilidade para mim." Aparecida entende que a obrigação é da Prefeitura. "Já pago a taxa de lixo. No máximo, passo uma agüinha na caixa do leite."
Técnicos do Departamento Municipal de Limpeza Urbana (Limpurb) dizem que 6 toneladas de lixo reciclável são jogadas fora todo dia por não ter condições de aproveitamento. Para ser reciclado, o lixo deve estar limpo e seco.
Embalagem de pizza, por exemplo, não pode ser aproveitada.
Por isso, o aposentado José Mancuso, de 62 anos, que mora no Alto da Boa Vista, zona sul, aproveita a água na qual foi enxaguada a louça para limpar garrafas de refrigerantes, latas, vidros. "Economizo água e deixo o lixo limpo." As embalagens com resíduos, como as de manteiga, margarina e de maionese, Mancuso limpa com papel toalha.
Essa solução não é aprovada pela bióloga Patrícia Blauth, consultora em minimização de resíduos. "Usar papel de toalha novo é criar mais lixo." Ela sugere que Mancuso utilize a esponja úmida ou um guardanapo de papel já usado.
"Como a coleta seletiva é feita uma vez por semana, os materiais ficam no quintal", diz Patrícia. "Se as embalagens não forem lavadas, vão exalar mau cheiro e atrair insetos."
Neste período de crise no abastecimento, a bióloga recomenda que se evite comprar produtos em embalagens tipo longa vida. "Elas são mais difíceis de limpar. Com exceção do leite, pode-se encontrar produtos em latas ou vidros, mais fáceis de ser limpos."
O coordenador do Programa de Uso Racional da Água (Pura) da Sabesp, Ricardo Chain, também aconselha que se reaproveite a água, principalmente da máquina de lavar roupa. "Essa água deve ser armazenada e usada para lavar o lixo que será reciclado."
Síndica do Edifício Eastower, na Vila Prudente, Neusa de Aro José, de 48, até exagera na limpeza. "Uso detergente para embalagens. Passo várias vezes embaixo da torneira."
Neusa nega ser exagero. "Além da Sabesp, o prédio é servido por uma mina, usada para regar jardins e lavar o pátio", diz. O condomínio paga em média R$ 1.900,00 por mês de água. Neusa diz que o valor não corresponde ao consumo nos 88 apartamentos. "A Sabesp instalou um hidrômetro na mina para medir o gasto com o esgoto."
Triagem - Desde fevereiro de 2003, quando a Prefeitura criou a primeira central de triagem de lixo reciclável, o volume coletado pulou de 5 para 60 toneladas diárias. Hoje, são 11 centrais de triagem e a coleta é feita em 1 milhão de residências. De acordo com funcionários do Limpurb, o lixo reciclável dos condomínios é o que apresenta melhores condições de aproveitamento.

OESP, 20/04/2004, Cidades, p. C5

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