CB, Brasil, p.13
20 de Jul de 2005
Duas novas espécies descobertas na floresta
Ullisses Campbell
Da equipe Correio
A fauna brasileira ganhou recentemente duas novas espécies de aves. Os bichos, identificados na floresta amazônia e descritos por cientistas paulistas, são o papagaio-careca-de-cabeça-laranja, uma espécie rara descoberta no Pará, e o periquito Cacaué, que foi confundido durante muito tempo com uma jandaia. Mal foram identificadas, as duas espécies já são fortes candidatas a entrar na lista de animais ameaçados de extinção pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama). São aves que despertam a cobiça de colecionadores, sempre atentos à divulgação de novas descobertas.
A espécie de papagaio rara, cuja principal característica é a cabeça sem penas com forte coloração laranja, foi descoberta por cientistas brasileiros durante expedição pela Amazônia. A ave foi descrita na edição de junho da revista de ornitologia The Auk, uma das mais respeitadas do mundo, e ganhou o nome científico de Pionopsitta aurantiocephala. Os pesquisadores responsáveis por encontrar o novo animal, Renato Gaban-Lima e Marcos Raposo, do Departamento de Zoologia do Instituto de Biociências (IB) da Universidade de São Paulo, afirmam que, pelo fato de a ave ter a cabeça careca, eles achavam, a princípio, se tratar de uma doença ou mesmo de mutilação, comum entre os papagaios.
Segundo a descrição da nova espécie, o papagaio-careca-de-cabeça-laranja mede cerca de 25 cm e pesa 60 gramas. Na verdade, ele já havia sido capturado pelo ornitólogo Helmut Sick, nos anos 50, mas ele pensou se tratar de um exemplar ainda sexualmente imaturo de uma espécie já conhecida, a Curica-urubu (Pionopsitta vulturina), que também é careca, mas tem a pele preta nessa região. Sick acreditava então que a cabeça laranja, já sem penas, adquiria a coloração negra com o desenvolvimento dos animais. Pensamos nisso num primeiro momento. Mas percebemos que os papagaios capturados não tinham qualquer indício de que eram de jovens e resolvemos investigar, diz Gaban-Lima.
Com autorização do Ibama, os pesquisadores coletaram quatro espécimes. Dois deles foram empalhados, e os outros dois estão preservados inteiros em álcool. A região onde as espécimes foram encontradas também indicou que não se tratava da Curica-urubu. O papagaio foi encontrado no sudeste do Pará, nas margens do rios Cururu-açu e São Benedito, dois afluentes do rio Teles Pires, no alto Tapajós. Nessa região, a Curica-urubu nunca foi encontrada.
Confusão científica
O mais novo periquito do Brasil (Aratinga pintoi) vive no estado do Pará, mais especificamente na região de Monte Alegre, a 623 quilômetros de Belém. Antes de ser identificada, a espécie causou muita confusão no meio científico por ser confundida com uma jandaia. No mês passado, as dúvidas foram desfeitas e a ave finalmente pôde ser descrita numa publicação científica.
Conhecido popularmente como Cacaué, o periquito apresenta uma combinação de cores na plumagem que o distingue das outras espécies do gênero. Ele mede cerca de 30 centímetros e tem como características as coberteiras superiores das asas amarelas-claras invadidas por verde e laranja-claro no ventre e nos flancos. As pernas e os pés são negros. Assim como o novo papagaio, a nova espécie de periquito também sofre a ameaça de extinção pelo tráfico local de animais.
Por quase um século, a ave foi confundida com a jandaia-sol (A. solstitialis). Percebemos que se tratava de uma nova espécie quando descobrimos exemplares idênticos em vários museus do mundo, e ao observarmos grupos cuja plumagem era similar àquelas presentes em coleções científicas. Foi importante também descobrir um casal fazendo ninho, afirma o biólogo Luís Fábio Silveira, do Departamento de Zoologia da USP. Em 2004, o biólogo visitou regiões onde é comum encontrar essas aves. Durante três dias, analisou seus aspectos biológicos e capturou cinco exemplares, que estão no Museu de Zoologia da USP para estudos posteriores.
O Cacaué tem uma população pequena e vive em uma área restrita, de vegetação aberta e no meio da floresta amazônica. É comum identificá-lo em grupos de até dez aves. Alimenta-se de frutas e sementes e sua vocalização é marcada por sons agudos, estridentes e repetitivos.
CB, 20/07/2005, p. 13
As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.