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Dois caciques macuxi são acusados de liderar atentado contra aldeia da terra Raposa Serra do Sol

Radiobrás-Brasília-DF
Autor: Thaís Brianezi
03 de Out de 2005

Desde terça-feira (27) dois tuxauas (caciques) da etnia macuxi - Genival Costa da Silva e Fernando da Silva Salomão - estão presos na cadeia pública de Boa Vista, acusados de liderar o atentado contra a aldeia Raposa Serra do Sul (antiga vila missionária Surumu), na terra indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima.

No dia 17 de setembro, cerca de 150 homens armados e encapuzados, entre indígenas e não-indígenas, queimaram o hospital, a igreja, a escola e o centro de formação cultural da comunidade. "Houve inclusive prática de tortura. Um professor foi confundido com um padre e torturado. Há foto dele com sangue e hematomas nas costas", contou o superintendente da Polícia Federal em Roraima, José Mallmann.

Segundo ele, os dois acusados já foram ouvidos pela Polícia Federal, mas vão aguardar o julgamento presos, porque a Justiça Federal decretou sua prisão preventiva - ao contrário da prisão temporária, não possui prazo determinado.

"Durante a operação de prisão, quando os policiais federais chegaram, houve reação dos indígenas. Um deles iria jogar uma pedra em um policial e um outro policial, para defendê-lo, atingiu um indígena na perna, com uma bala de borracha", contou Mallmann. Segundo ele, um inquérito foi aberto para verificar se o policial que atirou em "legítima defesa de outrem" cometeu algum tipo de excesso nessa ação.

Mallmann informou ainda que Genival Costa da Silva já responde a outros cinco inquéritos na Polícia Federal e, ao todo, é acusado de dez crimes. O indígena é o primeiro tuxaua da comunidade do Contão e vereador de Pacaraima, pelo PFL. A aldeia do Contão fica dentro de Pacaraima, que tem como prefeito o maior produtor de arroz da região, Paulo César Cuartieiro.

Fernando da Silva Salomão é tuxaua na comunidade Taxi (pronuncia-se taxí) e membro da Sociedade de Defesa dos Indígenas Unidos do Norte de Roraima (Sodiur), publicamente contrária à homologação. "Acredito na inocência do Fernando, mas a gente não concorda com esse tipo de vandalismo. Se ele participou das agressões, deve ser punido", disse o presidente da Sodiur, José Novaes.

O Conselho Indígena de Roraima (CIR) comemorou a prisão dos dois tuxauas. "Esses atos de violência estão ligados a outros aos quais a comunidade já sofreu. Eu creio que ele aconteceu porque na ocasião não houve imediata apuração dos fatos nem punição dos responsáveis", afirmou Novaes.

"Agora a gente começa a combater a sensação de impunidade daqueles que cometem crimes contra os indígenas", disse a assessora jurídica do CIR, Joênia Wapixana. Ela contou também que no dia 22 de setembro, durante a festa da homologação da Raposa Serra do Sol, na aldeia Maturuca, lideranças indígenas entregaram ao presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Mércio Pereira, uma carta na qual pedem, entre outras coisas, a presença constante da Polícia Federal na reserva.

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