Página 20-Rio Branco-AC
Autor: Oliveira Netto
26 de Out de 2004
A "doença misteriosa" (como foi divulgado em alguns jornais locais), que vem acometendo os índios do rio Envira no município de Feijó, nada mais é que uma virose. Essa afirmação foi do diretor do Hospital Geral de Feijó, Franklin Roberto. Ele disse ainda que há três semanas, surgiu uma preocupação muito grande com relação ao problema, detectado principalmente nas aldeias do alto rio Envira, entre os índios Kampas, Kulinas e Katuquinas. A equipe de saúde do município inicialmente achou que a doença poderia ser cólera, o que realmente poderia agravar a situação em Feijó. No entanto, a partir do momento que foram iniciados vários tratamentos em pessoas vindas de colônias, seringais do alto e baixo rio, bem como da cidade, chegou-se à conclusão de que a doença não passava de virose. Dezenas de pessoas foram atendidas no hospital geral do município nas duas ultimas semanas. Elas apresentavam o mesmo sintomas das quatro pessoas que morreram no hospital: febre alta, vômito e diarréia. Segundo Franklin Roberto, todas as pessoas que procuraram tratamento com urgência não tiveram maiores complicações, ao contrário de duas crianças indígenas e de duas não indígenas que deram entrada no hospital, em estado irreversível e perderam a vida. Nesse momento apenas oito pessoas estão hospitalizadas em Feijó com os sintomas da possível virose. Possível, diga-se de passagem, porque até o momento ainda não existe um diagnóstico médico sobre a doença que ainda vem acometendo principalmente aos índios e seringueiros naquela região.
As informações do Hospital de Feijó dão conta de que geralmente, com a chegada do inverno e aumento das águas do rio, surgem doenças com as mesma características dessa em ocorrência, principalmente da área rural. O que alivia a preocupação da equipe de saúde no município, é a recuperação rápida das pessoas e a redução na procura por atendimento. Segundo Franklin Roberto não há motivos para alardes, porque sabe-se do problema e as ações da secretaria de estado de saúde em parceria com a prefeitura de Feijó, estão sendo desenvolvidas de forma mais intensa para o controle total da doença.
FUNASA - Como a questão envolve principalmente os índios, a responsabilidade maior de controle fica por conta da Fundação Nacional de Saúde (Funasa). O coordenador da Funasa no Acre, Luiz Alberto, conversou com nossa equipe de reportagem e informou que não houve uma epidemia como foi divulgado por alguns jornais locais e está descartada qualquer possibilidade de ocorrência de cólera. Luiz Alberto garante que aconteceu um problema de diarréia em massa no alto rio Envira, mas a fundação nacional de saúde está atenta ao ocorrido. Fez parceria com a prefeitura do município de Feijó para fortalecer as ações. Uma equipe da Funasa que cuida da saúde dos índios, formada por um médico, dois enfermeiros, dois auxiliares e dois vacinadores já foram deslocados para o alto Envira. E dentro de 40 dias estarão de volta com todo o levantamento sobre os problemas de saúde dos índios da região. Uma Segunda equipe estará indo para Feijó ainda esta semana para fazer uma investigação epidemiológica envolvendo toda a população. Em 15 dias sairá um relatório oficial sobre toda a problemática de Feijó.
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