VOLTAR

Doença afeta famílias indígenas em Carnaubeira

Jornal do Commercio - http://jc3.uol.com.br/jornal/2009/05/20/not_331233.php
20 de Mai de 2009

O índio aticum José Francisco da Silva, 39 anos, residente em Carnaubeira da Penha, descobriu que tinha o mal em 1996, quando foi trabalhar em São Paulo e precisou doar sangue. Dois anos depois, voltou a sua aldeia e foi encaminhado ao Hospital Oswaldo Cruz, no Recife. "A última vez que fui até lá faz uns quatro anos, não consigo retorno", conta. Francisco mora numa casa de tijolos em acabamento, ainda com paredes sem rebocos. "Já vi duas vezes o bicudo por aqui", afirma, temeroso que os filhos pequenos, do primeiro casamento, tenham contato com o inseto quando visitam a residência.

Segundo o Distrito Sanitário Indígena de Pernambuco, coordenado pela Fundação Nacional de Saúde, são 58 índios em tratamento no Estado. A maioria dos chagásicos concentra-se exatamente no território aticum, em Carnaubeira, onde as casas de taipa fazem parte da paisagem isolada, que se liga à cidade por estradas de barro de difícil acesso, com passagens molhadas, pedras e lama. Segundo os registros da Vigilância em Saúde da 11 ª Gerência Regional de Saúde, pelo menos 11 barbeiros infectados com Trypanosoma cruzi, o parasita de Chagas, foram detectados no ano passado em Carnaubeira. Francisco já perdeu um tio com a doença e na comunidade existem famílias com mais de um chagásico.

O artesão e motorista Moacir Cícero da Silva, 26 anos, perdeu irmão e os pais. "Meu irmão Pedro foi o primeiro a adoecer, isso há 15 anos. Inchava os pés e se sentia cansado. Foi para o Recife, mas faleceu aos 36 anos", conta. Os pais adoeceram depois e também morreram. Moacir e os irmãos fizeram exame e todos são negativos. Agora vivem em casas de tijolos, mas ainda veem o barbeiro. "Essa doença não tem jeito", conta temeroso. Lucenildo Silva, coordenador do Conselho de Saúde local, diz que o governo deveria investir mais na população indígena, substituindo as casas de taipa. "Tinha que ter equipe visitando os imóveis uma vez por mês e a gente ia se sentir uma população protegida."

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.