VOLTAR

Documento fraco e decepção marcam último dia da Rio+20

OESP, Especial, p. H1
23 de Jun de 2012

Documento fraco e decepção marcam último dia da Rio+20
Dilma fecha conferência que avançou pouco no que havia se proposto, com críticas de ONGs e conformismo dos países

A Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, terminou ontem com um sentimento de frustração por parte da sociedade civil e de conformismo dos representantes dos 193 países da ONU por causa do teor da declaração final, aprovada às 19h20.
Em seu discurso, porém, a presidente Dilma Rousseff defendeu o documento: "Deixamos as bases de uma agenda para o século 21".
O texto, intitulado de O Futuro que Queremos - e apelidado de O Futuro que Teremos, ou O Futuro que Não Queremos, por organizações não governamentais -, não estipula metas numéricas e, por essa razão, foi considerado fraco e sem ambição.
Parte dessa frustração se deveu ao próprio modelo das conferências da ONU, cujo texto final sempre deve ser aprovado por consenso. Como havia vários pontos em que um embate entre países ricos e em desenvolvimento era inevitável, optou-se por um documento que apenas refletiu o que todos concordavam.
Assim, ao longo dos nove dias da conferência, os países renovaram compromissos anteriores que não haviam saído do papel, como a redução da pobreza em países em desenvolvimento e a redução das emissões de gases de efeito estufa, responsáveis pelo aquecimento global.
Nada de novo foi criado. Combinou-se no Riocentro que uma nova agenda mundial do desenvolvimento sustentável deverá ser apresentada até 2015. Na prática, empurrou-se para frente qualquer meta mais ambiciosa.
O texto final foi costurado e fechado pelo Brasil na madrugada de terça-feira, após uma longa sequência de negociações pouco produtivas sobre pontos críticos, como a definição de economia verde e as garantias de ajuda financeira dos países ricos para apoiar o desenvolvimento sustentável de países pobres.
A estratégia brasileira de fechar o documento antes da reunião de chefes de Estado eliminou qualquer chance de aperfeiçoamento do texto. Assim, numa cerimônia insossa, a Rio+20 terminou com certeza de que foi perdida uma oportunidade de se discutir e avançar no que ela havia se proposto.

OESP, 23/06/2012, Especial, p. H1

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,morte-de-indio-interrompe-f…

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.