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Do desmate à proteção

OESP, Vida, p. A26
02 de Set de 2010

Do desmate à proteção
Ele teve 60 fornos de carvão em Goiás até 2004. Hoje, diz que é preciso carinho com o Cerrado

Marta Salomon Enviada especial a Niquelândia

Em meio a sinais de fumaça de queimadas, Francisco de Assis Alves de Souza conta que Niquelândia, no norte de Goiás, tinha vegetação nativa do Cerrado até o início da década. As árvores e arbustos viraram carvão para abastecer siderúrgicas de Lagoa Santa (MG). Francisco visitou, com o Estado, as ruínas de parte dos 60 fornos de carvão que manteve até 2004.
O produto seguia em caminhões. Ele arrendou as terras do proprietário, que queria "limpar a área" e transformá-las em pasto, num empreendimento que não foi adiante. "O carvão para mim é coisa do passado. Há outras formas de tratar o Cerrado, com mais carinho."
Souza chegou a Niquelândia atraído por uma empresa de mineração. Na época, o Cerrado abria caminho para florestas plantadas de eucalipto. Depois, partiu para um negócio próprio, na rota de um dos principais vetores de desmatamento da região: a produção de carvão vegetal. Ela aparece combinada à abertura de áreas para a expansão da agricultura e pecuária.
Com o aumento da fiscalização e dos custos, ele abandonou a carvoaria e fez concurso público. Hoje é funcionário da prefeitura e cuida da produção de tambaquis, tilápias e pintados no lago da hidrelétrica de Serra da Mesa, maior que a capital paulista.
O ex-carvoeiro fez curso superior de gestão ambiental e, aos 42 anos, defende o Cerrado. Com uma história colada à história da região, ele pondera: "O Cerrado pode acabar, sim. É finito."

OESP, 02/09/2010, Vida, p. A26

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100902/not_imp603959,0.php

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