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Divergências em entidade

Adital
11 de ago de 2005

Um impasse institucional está desestabilizando a atuação da Coordenadoria das Organizações Indígenas da Bacia Amazônica (COICA). Segundo informações da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), membro da Coica, desentendimentos internos transcenderam para um clima de acusações mútuas relacionadas principalmente à gestão institucional, ao papel político da entidade e à responsabilidade sobre a divisão interna do movimento indígena amazônico. "Visível não só no interior da diretoria da entidade, mas também em algumas organizações indígenas membros, particularmente do Equador, Colômbia e Venezuela", ressalta a Coiab.

Esses desentendimentos teriam alimentado a perspectiva de suspender a realização do VII Congresso da Coica, que segundo as resoluções do VI Congresso deveria realizar-se na Guiana Francesa, em 2005, e como segunda opção na Bolívia. Uma das correntes de opinião propôs realizar o evento em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia. Outras, no entanto, defendiam sua realização na Guiana. A partir daí deflagrou-se a divisão de opiniões.

A Coiab, num primeiro momento, manifestou-se contrária à tentativa de realizar outro Congresso que não fosse o determinado pelo VI Congresso. Contudo, as partes em conflito estavam determinadas a disputar a realização do evento, configurando um quadro de irreversível divisão interna. Preocupada com esse impasse, a entidade brasileira propôs o cancelamento temporário do Congresso a realização de uma reunião extraordinária com todas as organizações indígenas membros da Coica, para analisar o problema, corrigir divergências e "superar mal-entendidos",

A Coiab, responsável pela proposta da reunião de conciliação, compareceu com a expectativa de encontrar todos os dirigentes das organizações convocadas. Mas as organizações das Guianas e do Suriname teriam se recusado a comparecer. Desta forma, os membros do Conselho Diretor presentes à reunião optaram por realizar o Congresso na Bolívia, o que significou na prática a confirmação de dois Congressos.

A Coiab aposta, no entanto, que prevaleça entre os líderes da Coica "o bom senso, o equilíbrio emocional, a humildade e a responsabilidade de reconhecer de ambos os lados erros políticos cometidos, bem como a determinação de congregar novamente as organizações dos nove países amazônicos em torno do projeto etno-político original".

Segundo a entidade brasileira, a Coica, nascida em 1984, por tanto há 21 anos, é composta por organizações indígenas amazônicas de nove países: Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana Francesa, Guiana Inglesa, Peru, Suriname e Venezuela. Apesar dessa diversidade nos últimos anos a mudança da Diretoria da entidade tem se baseado num entendimento político que garantisse um certo rodízio entre os países. Esse mesmo critério, respaldado estatutariamente, tem prevalecido para os Congressos, realizados de quatro em quatro anos. Foi dessa forma, que no VI Congresso, realizado na cidade de Letícia, Colômbia, em 2001, a Coiab teve a oportunidade de indicar como novo coordenador geral da Coica o líder indígena Sebastião Manchineri, do Estado do Acre.

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