O Globo, Rio, p. 9
17 de Mar de 2017
Divergência sobre análises em primatas cria mal-estar
Secretário de Saúde diz que Instituto Evandro Chagas demorou a entregar resultado 'inconclusivo'
Ana Lucia Azevedo e Vera Araújo
RIO - O resultado positivo para febre amarela em cinco macacos achados mortos no Rio criou um mal-estar entre o secretário de Saúde do Estado do Rio e a direção do Instituto Evandro Chagas, no Pará, que realizou os exames nos primatas. O secretário Luiz Antônio Teixeira Jr. disse que os animais foram encaminhados pela Fiocruz para o instituto de pesquisa, em outubro do ano passado, e que as análises demoraram a ficar prontas. Ele chegou a afirmar ter sido alertado por pessoas da comunidade científica sobre uma possível troca de lâminas do Rio por amostras de Minas Gerais.
- Não pode ser normal mandar amostra em outubro e ter resultado em março - disse.
Segundo ele, os exames do instituto não deram positivo: foram inconclusivos. O secretário afirmou que a contraprova cabe à Fiocruz.
Já o diretor do Evandro Chagas, o virologista Pedro Fernando da Costa Vasconcelos, garantiu que não há dúvida sobre a contaminação dos macacos, submetidos a exame de imunohistoquímica e examinados pela equipe de hematologia do instituto. Ele disse que o início da vacinação foi tardio:
- Quando macacos começam a morrer com suspeita de febre amarela, não se espera o resultado de exames para depois vacinar. A vacinação deve ser imediata, está no protocolo do Ministério da Saúde. A prioridade sempre foi diagnosticar humanos primeiro. Só um cego não veria que as lâminas com as amostras dos macacos infectados deram positivo.
Vasconcelos disse que a presença de antígenos - substâncias específicas do vírus que provocam reação no organismo infectado- no caso, o dos macacos - foram facilmente visualizadas ao microscópio. Ele explicou que os exames demoraram três meses e meio para ficar prontos porque o Ministério da Saúde pediu prioridade para as análises de Minas e Espírito Santo. Afirmou ainda que o instituto recebeu a maior demanda de sua história, com o aumento no ano passado das mortes provocadas por zika, chicungunha e dengue no Brasil.
O Globo, 17/03/2017, Rio, p. 9
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