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Autor: g1 MS — Mato Grosso do Sul
27 de Abr de 2026
Disputa por terra volta a registrar conflito entre indígenas e policiais
Após cinco indígenas serem presos em Amambai (MS), neste domingo (26), por ocuparem a fazenda Limoeiro, sobreposta à Terra Indígena Iguatemipeguá II, um novo confronto foi registrado nesta segunda-feira (27). Segundo o Conselho Missionário Indigenista (Cimi), Policiais Militares e o Departamento de Operações de Fronteira (DOF) atacaram com tiros e bombas o povo Guarani-Kaiowá (veja vídeo acima).
Conforme o Cimi, ainda não há informações sobre feridos ou pessoas presas. O confronto ocorre em meio à retomada de parte da fazenda.
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O g1 procurou a Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. O g1 também aguarda retorno da Força Nacional, que acompanha a situação no local.
Em nota, a Força Nacional, que acompanha a situação na região, disse que está concentrada no apoio e prevenção de novos conflitos (leia a íntegra mais abaixo).
Cinco indígenas foram presos depois da ocupação, no domingo, e os produtores rurais que moram na fazenda precisaram deixar o local. Conforme apurado pelo g1, nesta segunda-feira (27), os proprietários já teriam retornado às casas.
Entenda o conflito
O episódio em Amambai reflete uma tensão fundiária histórica, marcada por divergências sobre a ocupação do solo e o status jurídico das áreas envolvidas. Dois pontos de contextualização precisam ser compreendidos:
⚠️O caso ocorre em meio a disputas por terra na região. A Polícia Militar trata a ação como invasão de propriedade. Já o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) afirma que se trata de retomada de território ancestral.
🔎 Para compreender parte do conflito, é preciso conhecer o processo de demarcação de Terras Indígenas (TIs). A TI Iguatemipeguá II está em fase de estudos para demarcação. O processo administrativo tramita desde 2008 e envolve levantamentos antropológicos, históricos e ambientais feitos pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai).
O g1 questionou os proprietários da Fazenda Limoeiro sobre a ocupação deste fim de semana, mas não obteve nenhum retorno até a última atualização desta reportagem. O Ministério dos Povos Indígenas informou em nota que acompanha a situação. Leia o retorno na íntegra mais abaixo.
Cimi diz que indígenas foram encurralados por jagunços
Segundo o Cimi, indígenas foram atacados por homens armados antes da chegada da polícia. A organização afirma que, durante a saída, o grupo foi "empurrado pelas forças policiais de volta à aldeia Limão Verde" e que o local foi alvo de tiros e bombas.
Cinco indígenas foram presos e permanecem na delegacia de Amambai, segundo o Cimi. Conforme a organização, foram presos:
O Cimi afirma que o clima na região é de tensão, com presença de homens armados e equipes policiais em acessos à reserva. A Força Nacional de Segurança Pública (FNSP) foi acionada.
PM foi acionada para atender ocorrência de invasão
A Polícia Militar informou que a ação foi realizada para conter a ocorrência. Segundo a corporação, houve danos à casa na fazenda e tentativa de destruir veículos e máquinas.
De acordo com a polícia, o grupo entrou na propriedade por volta das 23h20 de sábado e a família foi expulsa do local durante a madrugada. A corporação informou ainda que encontrou objetos separados para possível retirada, como eletrônicos e joias.
As guarnições da Polícia Militar foram mobilizadas para prestar apoio às vítimas e conter novos incidentes, realizando a detenção de três indivíduos envolvidos nessa ação delituosa.
O policiamento permanece na região para evitar novos conflitos e garantir a preservação do local para os trabalhos periciais. A ocorrência será encaminhada à Delegacia de Polícia Civil para a identificação dos responsáveis e apuração das responsabilidades criminais pelos danos e pela invasão.
Ministério dos Povos Indígenas acompanha situação
Em nota, o Ministério dos Povos Indígenas informou que acompanha o caso e detalhou as ações adotadas. Leia a nota na íntegra abaixo:
"O Ministério dos Povos Indígenas (MPI) acompanha a situação por meio do seu Departamento de Mediação e Conciliação de Conflitos Fundiárias Indígenas (DEMED), dentro de suas competências institucionais de garantia e promoção dos direitos indígenas. Representantes da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e da Força Nacional de Segurança Pública se deslocaram ao local para a mediação do conflito e esclarecimentos acerca do ocorrido. A pasta aguarda mais informações para o acionamento dos órgãos responsáveis e qualificação de eventuais violências e violações de direitos por parte das forças policiais do Estado em relação aos indígenas".
O que diz a Força Nacional
O g1 questionou a Força Nacional do Ministério da Justiça e Segurança Pública sobre a intervenção da Polícia Militar no Terra Indígena. Leia a íntegra da nota enviada:
O Ministério da Justiça e Segurança Pública informa que a Força Nacional de Segurança Pública atua no estado de Mato Grosso do Sul, em apoio à Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), sob coordenação da Polícia Federal, conforme a Portaria MJSP no 1.027/2026.
Cabe ressaltar que, por se tratar de um programa de cooperação federativa, a Força Nacional atua sempre como apoio e reforço aos demais órgãos, em obediência ao planejamento operacional definido.
Nesse sentido, na manhã deste domingo (26), equipes da Força Nacional foram acionadas pela Funai e pelos demais órgãos envolvidos para averiguar informações relacionadas ao tensionamento na região da Aldeia Limão Verde, no município de Amambai (MS).
Ao chegar à Fazenda Limoeiro, as equipes constataram que a intervenção inicial já havia sido realizada pela Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, responsável pelas medidas adotadas no local.
A atuação da Força Nacional concentrou-se no acompanhamento da situação, no apoio, na prevenção de novos conflitos e no reforço do patrulhamento ostensivo, em articulação com os órgãos competentes.
Policiais em área da fazenda Limoeiro, em Amambai. - Foto: Cimi/Reprodução
Veja vídeos de Mato Grosso do Sul:
https://g1.globo.com/ms/mato-grosso-do-sul/noticia/2026/04/27/disputa-p…
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