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DISCURSO DO PRESIDENTE DA FOIRN AO PRESIDENTE LULA

Comunicação Foirn
Autor: Domingos Barreto Tukano
24 de set de 2007

Boas Vindas em Tukano

Aos presentes que não entendem minha língua tukano, eu disse boas vindas a todos e principalmente ao Sr. Presidente que hoje se encontra em São Gabriel da Cachoeira para dialogar conosco e ouvir as nossas reivindicações.

Senhor Presidente,

Aqui no alto e médio Rio Negro vivem 23 povos indígenas com culturas específicas, que somam hoje cerca de 40 mil pessoas e constituem 90% da população residente nesta região. Representamos cerca de 10% da diversidade e da população indígena atual do Brasil. Estamos organizados em comunidades e associações, formando uma Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro - FOIRN, que neste ano completa 20 anos de lutas e conquistas. Boa parte das nossas terras já foram reconhecidas e demarcadas pelo Governo Federal. Mas ainda falta demarcar urgentemente algumas terras indígenas, onde se encontram comunidades em situação alarmante, que vem sofrendo com a prática do turismo e pesca ilegal, garimpos, trabalhos em regime de semi - escravidão, que retrata o duro sistema de endividamento empreendido pelos "patrões", e outros problemas. Essas terras, Sr. Presidente: são Marabitanas Cué-cué, Médio e Baixo Rio Negro.

O nosso território está situado em vários municípios, cujo poder está controlado por setores que não reconhecem nossos direitos tornando muito difícil coordenar os recursos das políticas públicas federais que passam pelo canal da municipalização. Por isso pensamos que o nosso país não está preparado para conversar conosco, respeitar as nossas línguas e direitos coletivos, ouvir as nossas visões e propostas para o futuro. Ao contrário, o país se preparou para integrar e assimilar os povos indígenas, reprimindo nossas culturas, reduzindo nossos direitos e tentando colonizar nossas terras, e nós não aceitamos esse rumo.

Apesar de todas as dificuldades enfrentadas ao longo dos anos, já tivemos algum reconhecimento dos nossos direitos e já temos algumas soluções para resolver os principais problemas que nos afetam. Por isso, no ano de 2002 entregamos à equipe de transição do seu governo, uma carta contendo nossas reivindicações. Agora, 05 anos depois concluímos que as nossas demandas não foram contempladas. E mais uma vez estamos aqui para apresentá-las novamente e reafirmar que se trata de ações prioritárias para a melhoria das condições de vida dos nossos povos. Sendo assim, queremos que o Governo Federal crie as condições institucionais para conversar conosco de maneira adequada, apoiando o que nós chamamos de PROGRAMA REGIONAL DE DESENVOLVIMENTO INDÍGENA SUSTENTAVEL DO RIO NEGRO. Este programa reúne um conjunto de ações integradas, sejam das políticas públicas federais, sejam das demais parcerias não-governamentais, de forma a construir e implementar um tipo de desenvolvimento que tenha o nosso jeito de ser e de trabalhar e que valorize a nossa diversidade e os nossos conhecimentos e garanta um novo patamar de bem estar para as nossas comunidades.

O Programa contempla ações na área de educação, saúde, proteção e fiscalização das nossas terras, comunicação, direitos, cidadania e política cultural.

Acreditamos que essas ações devem ser executadas de acordo com as nossas determinações e prioridades, valorizando a nossa participação direta na sua execução. Para encerrar, reafirmo que nós, indígenas do Rio Negro, estamos abertos ao diálogo e prontos pra continuar lutando pela valorização das nossas culturas e melhoria da qualidade de vida das nossas comunidades.

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