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Diretor do Ibama deixa a prisao

CB, Brasil, p.14
09 de jun de 2005

Diretor do Ibama deixa a prisão
Por falta de provas, Antonio Hummel foi libertado a pedido do próprio Ministério Público Federal
Preso pela Operação Curupira, na última terça-feira, o diretor de Florestas do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama), Antonio Carlos Hummel, foi solto na última terça-feira. A prisão preventiva foi revogada pela Justiça a pedido do procurador da República Mário Lúcio Avelar, o mesmo que havia pedido a prisão do diretor.
Hummel foi solto após prestar depoimento à Polícia Federal que, desde o início da operação afirmou não ter denúncias contra ele. O procurador acompanhou o interrogatório. A PF não tinha nada contra ele (Hummel). No final, o procurador concluiu que não deveria sequer ter indiciado ele”, afirmou o delegado federal Tardelli Boaventura, responsável pelas investigações.
A acusação contra Hummel era de ter aprovado planos de manejo suspeitos em terras já desmatadas. Os planos são documentos obrigatórios apresentados por donos de terra para ter o direito de explorar a área. Segundo a PF, o nome dele foi citado em conversas telefônicas gravadas, durante a investigação, com pessoas envolvidas no esquema de extração e venda de madeira ilegal em Mato Grosso. A Operação Curupira prendeu, na última semana, mais de cem pessoas acusadas de participar da máfia. Entre os envolvidos, estão funcionários do Ibama e da Secretaria de Meio Ambiente do Mato Grosso, além de madeireiros e empresários. A maioria das prisões foi realizada no estado do Mato Grosso.
Após ficar sete dias detido em Cuiabá, Hummel ontem passou o dia em Brasília reunido com a família. Ele não quis falar com a imprensa. Além do diretor de Florestas, também foram soltos a gerente do Ibama em Sinop (MT), Ana Luíza Mancini da Riva, e a advogada da Fundação Estadual do Meio Ambiente (Fema) do Mato Grosso Mauren Lazzaretti. Elas já prestaram depoimento e foram liberadas. A PF espera concluir, nas próximas semanas, sete inquéritos abertos com a operação.
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, anunciou ontem que vai transformar todas as operações de combate ao desmatamento ilegal em convênios permanentes com a Polícia Federal (PF) em todo o país. A ação tem o objetivo de intensificar a fiscalização e impedir a prática de crimes ambientais por empresas e servidores públicos.
Segundo a ministra, as recentes ações promovidas em conjunto com a PF aumentaram em 83% a capacidade de fiscalização na Floresta Amazônica. Em três anos, a madeira certificada para exploração legal saltou de 300 mil para 1,40 milhão de hectares, segundo Marina. O resultado, para a ministra, foi obtido graças à integração de três ministérios: Meio Ambiente, Agricultura, Pecuária e Abastecimento e o do Desenvolvimento Social e Combate à Fome.
O presidente do Ibama, Marcus Barros, saiu ontem em defesa do ex-diretor e disse esperar seu retorno ao cargo, após a conclusão do processo administrativo aberto pelo Ministério do Meio Ambiente para apurar as denúncias. Ele foi afastado temporariamente junto com outras dezenas de servidores do órgão.
CB, 09/06/2005, p. 14 (Brasil)

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