Funasa
11 de Mar de 2008
O diretor do Departamento de Saúde Indígena (Desai) da Funasa, Wanderley Guenka, participou, na tarde de hoje (11), de audiência pública da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Subnutrição de Crianças Indígenas, na Câmara dos Deputados. A nutricionista da Fundação, Aline Caldas, também esteve presente.
Wanderley Guenka esclareceu aos parlamentares que existem vários fatores que colaboram para a presença da desnutrição entre indígenas. A desestruturação familiar, alcoolismo e falta de cuidados com as crianças são algumas das causas do problema. A Funasa, por sua vez, oferece programa de atenção à saúde da mulher e da criança, avaliação nutricional, imunização e outros, para garantir a saúde da população indígena. "A questão da desnutrição passa pelo social, pela terra, pela violência e, também, pelo alcoolismo. Não é um problema isolado, além de ser complexo", explicou.
Guenka citou, como resultado positivo do trabalho da Funasa em Dourados, no Mato Grosso do Sul, a diminuição do índice de mortalidade infantil. Em 2000, eram 141,56%. Em 2006, este número caiu para 24,12. Outro avanço registrado no mesmo local foi a queda dos números de casos de tuberculose. De 78, em 2001, passaram para 20, em 2006.
Como forma de minimizar os casos de desnutrição entre indígenas, a Funasa desenvolveu o Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan) Indígena, que busca o aperfeiçoamento e a ampliação da prestação de serviços nas áreas indígenas, necessárias à melhoria da situação de saúde da população indígena brasileira.
A Funasa tem priorizado sua implantação, por ser um sistema capaz de diagnosticar e acompanhar o estado nutricional da população indígena no âmbito dos Dseis, permitindo conhecer os agravos nutricionais e adotar ações eficazes para os grupos de maior vulnerabilidade.
Durante a audiência, Aline Caldas destacou o funcionamento (Sisvan) Indígena como iniciativa para manutenção da saúde. Ela afirma que o sobrepeso, obesidade e desnutrição estão entre os problemas detectados nas áreas indígenas. "A falta de acesso à alimentação de qualidade e a mudança dos hábitos alimentares acarretam em interferências nas questões nutricionais", esclarece.
Segundo Aline, o Sisvan (que atua dentro de acordo com as diretrizes do Sistema Único de Saúde do Ministério da Saúde) tem algumas estratégias para se fortalecer. Entre elas estão a contratação e capacitação de profissionais, a aquisição de equipamentos, divulgação de informações, monitoramento das ações do projeto e a elaboração do manual de diretrizes do Sisvan.
Atualmente, a Funasa tem 622 profissionais capacitados para trabalhar no acompanhamento nutricional indígena nos 34 Distritos Sanitários Especiais Indígenas (Dseis). Outro grande avanço da área nutricional da Funasa (que acompanha 25 mil crianças indígenas) é a realização do Curso de Vigilância Alimentar e Nutricional para a Saúde Indígena, modalidade a distância.
A capacitação é uma parceria entre a Fundação e Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz) e forma profissionais que atuam nos Dseis para apoiar a implementação do Sisvan, em articulação com a Política Nacional de Alimentação e Nutrição. Com a proposta de aprimorar o atendimento, também será realizado o inquérito nutricional para mapear a situação nas diversas áreas indígenas.
A Funasa promove, em parceria com o Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome, a distribuição de 23 mil cestas básicas, por mês, para famílias indígenas atendidas por 18 Dseis. Além disso, há a disponibilização de doses de Vitamina A e sulfato ferroso em comunidades onde foi detectada a necessidade da suplementação.
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