Radiobrás
Autor: Ana Luiza Zenker
23 de Out de 2007
Brasília - O sucesso das ações para diminuir as taxas de suicídios na população indígena depende da garantia de acesso dessas comunidades à terra. É o que defende o integrante do Conselho Indígena de Saúde de São Félix do Araguaia (MT), Samuel Karajá.
"Quando a gente tem a nossa terra, nós temos a paz, tranquilidade, saúde, aquilo que a vida tem para oferecer, então a terra é o principal problema que os índios brasileiros estão enfrentando", disse Karajá, em entrevista à Agência Brasil.
"A ação do governo tem que ser: demarcar terra, reconhecer as comunidades indígenas e oferecer realmente um programa do governo, políticas públicas que cheguem à aldeia, concretamente."
De acordo com dados do Ministério da Saúde, apresentados hoje (23) na 1ª Conferência Internacional e no 1o Encontro Nacional de Saúde Mental Indígena, o risco de morte por suicídio é até seis vezes superior na população indígena. Os maiores índices são registrados entre índios de 10 a 29 anos. A desvalorização da cultura indígena é apontada como uma das causas que levam aos suicídios.
"Há um tempo atrás a gente tinha terra, paz, a gente tinha nossa cultura viva, quer dizer, os jovens eram ocupados com a cultura, hoje não tem a ocupação com a cultura, então fica numa ociosidade e isso vai levando para um caminho de bebida, drogas, e tudo isso vai acarretando o problema [do suicídio]", avalia Samuel Karajá.
Para ele, é dever do Estado reconhecer as comunidades indígenas e garantir os seus direitos, que envolvem o acesso à terra, à produção de alimentos para a subsistência e a meios de manter a cultura viva.
"Nós estamos fazendo a nossa parte, tentando revitalizar a nossa cultura com recursos que a gente tem, que os nossos antepassados trabalharam. A cultura é o que dá vida a toda uma sociedade indígena, ela dá vida, saúde, segurança alimentar, tudo isso, então nós estamos trabalhando nisso."
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