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Dilma quer baixar preço de hotéis no Rio

OESP, Vida, p. A25
11 de Mai de 2012

Dilma quer baixar preço de hotéis no Rio
Presidente solicitou ação de ministros para evitar cobrança de valores abusivos durante a Rio+20; Câmara desiste de enviar delegação para evento

LISANDRA PARAGUASSU, RAFAEL MORAES MOURA, BRASÍLIA

A pouco mais de um mês da Rio+20, o governo federal, deputados e senadores descobriram que o preço dos hotéis no Rio durante o evento se transformou em um problema. Após a decisão do Parlamento Europeu de cancelar a vinda de sua delegação por causa dos altos custos de hospedagem, a Câmara dos Deputados desistiu de enviar uma delegação oficial pela mesma razão.
Ontem, a presidente Dilma Rousseff pediu aos ministros da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, e do Turismo, Gastão Vieira, que tentem achar uma solução. Na Câmara dos Deputados, a Comissão de Turismo quer convocar o setor hoteleiro a dar explicações. No Senado, a Comissão de Relações Exteriores aprovou uma resolução em que pede ao prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, que intervenha no assunto.
A decisão do Parlamento Europeu - tomada após a constatação de que a conta poderia chegar a 100 mil euros, dez vezes mais do que o orçamento previsto - trouxe o assunto à tona. Outras delegações também diminuíram o número de participantes por conta dos preços, até 60% maiores do que o normal em uma cidade que já cobra caro pelas vagas em seus hotéis.
Ao ficar sabendo do cancelamento dos deputados europeus, a presidente teria ficado irritada com o "abuso" e pedido à ministra da Casa Civil que se reunisse hoje com o ministro do Turismo para ver o que é possível fazer.
Foram chamados representantes dos Ministérios da Fazenda, Justiça, Turismo, Receita Federal, Embratur e do setor hoteleiro do Rio. A avaliação do governo é que os preços dos hotéis estão abusivos. Além disso, considera irregular a exigência dos pacotes de cobrar uma estadia de pelo menos sete dias. "Não há compreensão por parte do setor da importância do evento para o País", diz um auxiliar de Dilma.
Alerta. Em meio aos protestos, o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), anunciou que uma delegação da Casa não iria mais à Rio+20. "A diária do hotel que estava sendo oferecida à Câmara é de algo em torno de R$ 1,6 mil por dia. Isso a Câmara não vai pagar", disse Maia. "Vamos ver o que é possível fazer para reverter isso. Podemos tomar medidas contra atitudes que representem abuso ou crime contra a economia popular."
Apesar de reconhecer que o preço dos hotéis é uma questão de mercado, o fato de países terem anunciado a redução no número de delegados acendeu o sinal vermelho. "É um assunto que nos preocupa. Queremos que a Rio+20 seja inclusiva. Os preços estão muito elevados", disse o ministro das Relações Exteriores, Antonio de Aguiar Patriota, ao sair do Senado.
Patriota fez questão de destacar que, apesar dos preços, a participação na conferência será alta. São esperados 116 chefes de Estado ou de governo. Porém, para eles, o custo da hospedagem é bancado pelo Brasil e pelas Nações Unidas. O restante das delegações paga do próprio bolso ou tem a sua despesa custeada pela organização da qual faz parte.
O requerimento aprovado pela Comissão de Relações Exteriores do Senado pedindo que a prefeitura do Rio intervenha no setor para baixar os preços pode ser inútil. A grande maioria dos hotéis do Rio já está lotada para o período da Rio+20. Em uma busca na internet é possível encontrar poucas vagas, raramente com diária inferior a R$ 1 mil.

OESP, 11/05/2012, Vida, p. A25

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,dilma-quer-baixar-preco-de-…

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