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Dilma lança plano para áreas de risco

OESP, Metrópole, p. C6
09 de Ago de 2012

Dilma lança plano para áreas de risco
Presidente lembra Olimpíada ao apresentar projeto que prevê mapeamento, prevenção, alerta e resposta a desastres naturais

RAFAEL MORAES MOURA
TÂNIA MONTEIRO / BRASÍLIA

Recorrendo a comentários esportivos que remetem mais ao seu antecessor, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a presidente Dilma Rousseff lançou ontem o Plano Nacional de Gestão de Riscos e Resposta a Desastres Naturais, com investimentos previstos de R$ 18,8 bilhões. O plano é norteado por quatro eixos (prevenção, mapeamento, monitoramento e alerta e resposta a desastres) e inclui o mapeamento de áreas de risco.
No lançamento, Dilma fez menção à partida de vôlei feminino entre Brasil e Rússia, que ocorreu nos Jogos Olímpicos de Londres. Na ocasião, o Brasil venceu a partida no tie-break, após salvar seis match-points das adversárias. "Esse plano nacional de gestão de riscos pretende ter uma característica, que eu acho fundamental, que nós vimos no jogo de vôlei feminino, quando disputamos até o fim e ganhamos, mesmo enfrentando momentos (de dificuldade)", ressaltou, destacando que conhece bem o esporte.
"Eu fui jogadora de vôlei, e boa levantadora. Eu era uma boa levantadora. Pois é, hoje eu corto", disse a presidente, no improviso. "Fiquei muito entusiasmada porque ali (no jogo) houve uma teimosia, resistência ao desafio. Eu acho que esse plano é isso, resistir ao desafio."
Dos R$ 18,8 bilhões previstos, R$ 15,6 bilhões deverão ser destinados para obras de contenção de encostas, drenagem urbana e construção de sistemas urbanos de abastecimento de água em Estados do Nordeste. Dilma pediu ainda aos governadores que "acelerem por favor os projetos, porque os recursos estão disponíveis". "Queremos salvar vidas, queremos que as pessoas não percam suas casas", afirmou a presidente. "Eu vi o desespero do vice-governador (do Rio, Luiz Fernando) Pezão, do governador Sérgio Cabral, diante do que ocorreu na região serrana do Rio, o imenso esforço de toda aquela região no sentido de impedir uma catástrofe. Ao mesmo tempo, eu assisti de um helicóptero o deslizamento de uma montanha em Santa Catarina onde não tinha nenhum ser humano e parecia que havia sido passada uma máquina no morro."
Reforço. O País ainda passará a ter uma Força Nacional de Emergência, composta por especialistas (geólogos, hidrólogos, engenheiros, agentes de Defesa Civil e assistentes sociais). O plano prevê ainda a simplificação do processo de compra de alimentos, adoção de cartão especial (como os de crédito) para liberação de recursos e construção de unidades do Minha Casa, Minha Vida 2 para flagelados.

Os eixos do programa

Prevenção (R$ 15,6 bi)
Contempla as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) voltadas à redução do risco de desastres naturais, como inundações e deslizamentos. Inclui drenagem e contenção de encostas e cheias em 170 municípios de 17 regiões metropolitanas e bacias hidrográficas. Abrange também ações de combate aos efeitos da seca como a construção de barragens, adutoras e sistemas urbanos de abastecimento de água em 9 Estados do Nordeste e no semiárido mineiro.

Mapeamento (R$ 162 mi)
Identificação de áreas de risco de deslizamentos e enxurradas em 821 municípios e mapeamento de risco hidrológico em 26 Estados e no Distrito Federal. Nesses municípios serão elaborados planos de intervenção, que identificam a vulnerabilidade das habitações e da infraestrutura local.

Alerta (R$ 362 mil)
Estruturação, integração e manutenção da rede nacional de monitoramento, previsão e alerta, em trabalho 24 horas. O plano prevê ainda recursos para a expansão da rede de observação com a aquisição de 9 radares e 4.100 pluviômetros, entre outros itens.

Resposta (R$ 2,6 bilhões)
Ações coordenadas de planejamento e resposta a ocorrências têm a partir de agora 1 mil profissionais da Força Nacional do SUS, além de estoque de medicamentos e materiais de primeiros socorros e seis módulos de hospital de campanha com capacidade para atender a três desastres simultâneos.

OESP, 09/08/2012, Metrópole, p. C6

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