VOLTAR

Dilma critica 'FT'e nega apagao

OESP, Economia, p.B7
26 de Out de 2004

Dilma critica 'FT' e nega apagão
Ministra contesta reportagem do jornal britânico `Financial Times, que alertou para riscos de racionamento

Energia
A ministra de Minas e Energia Dilma Rousseff classificou de "óbvia e fantástica" a reportagem publicada pelo jornal britânico Financial Times sobre os riscos de apagão no País e garantiu que, mantido o ritmo atual de crescimento econômico, a possibilidade de racionamento é zero.
"Mas é óbvio que em qualquer país do mundo que tenha taxas significativas de crescimento e ninguém faz nada não vai ter energia suficiente. O que está acontecendo no Brasil é o contrário", garantiu ela. A ministra afirmou que, de 35 hidrelétricas que estavam paralisadas, mais da metade já iniciou o processo de investimento.
Além disso, completou Dilma, o País tem o Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia (Proinfa), que deverá injetar 3.300 megawatt (MW) no sistema elétrico. Isso sem contar a sobra de eletricidade no País, ainda decorrente do racionamento ocorrido em 2001. "Está havendo uma retomada de investimento", garante a ministra.
Mas, segundo a reportagem do jornal britânico, o Brasil corre risco de racionamento caso a economia continue com o atual ritmo de crescimento e não haja investimentos privados. O FT observa que, segundo cálculos da consultoria Tendências, o setor de eletricidade necessita de investimentos de R$ 20 bilhões anuais ao longo dos próximos dez anos para manter ritmo com a demanda.
O governo deverá prover um terço desse valor, afirma o jornal. "Muitos grupos internacionais de energia que se arrependem de investir pesadamente no Brasil no final da década de 90 enfrentam problemas até maiores em seus mercados domésticos", disse o FT. "Eles provavelmente não fornecerão o resto." Segundo o jornal, a conclusão poderia ser que em breve as luzes vão se apagar.
O presidente da Eletrobrás, Silas Rondeau Cavalcante Silva, disse ontem, em Curitiba, que "não há nenhum motivo para terrorismo" ao responder sobre reportagem do Financial Times. "As providências para que isso não ocorra estão sendo tomadas", garantiu.
"Temos implantado um novo modelo que tem todo um mecanismo para trabalhar no sentido da segurança do fornecimento." Segundo ele, o País vive atualmente uma "bolha de oferta", com a energia sendo oferecida a preço baixo. "Em novembro vamos ter o grande leilão, onde vamos testar essa questão", acentuou. Silva disse estar com expectativa de sucesso. "Vamos reposicionar toda a energia considerando que o impacto teoricamente estaria jogando a tarifa para baixo por conta da superoferta, e será compensado pelo impacto da expectativa do custo da energia futura", afirmou.
Silva acentuou que deverá receber uma missão da China que quer investir em geração e transmissão. Também lembrou que a Hidrelétrica de Itaipu aumentará a oferta em 1.400 megawatts no próximo ano, com mais duas turbinas, e que até dezembro de 2006, a Eletronorte terá a segunda etapa da Hidrelétrica de Tucuruí, com mais 4 mil megawatts. Ele comparou a questão energética com as pedaladas necessárias para manter uma bicicleta em pé e em movimento. "Ninguém pode deixar de pedalar ou pedalar menos que a necessidade da ladeira, que é a rampa de crescimento", disse ele. "Quanto mais retomada de crescimento, mais esforço vai ter que fazer para equilibrar oferta e consumo e, sempre que possível, com energia mais barata."
Renée Pereira, João Caminoto, Evandro Fadei.

OESP, 26/10/2004, p. B7

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.