Gazeta de Cuiabá-Cuiabá-MT
Autor: Ana Drumond
03 de Jul de 2003
A diarréia continua sendo a principal causa de morte de crianças entre zero e cinco anos em aldeias indígenas. No ano passado, foram registrados 86 mil casos em todo o Brasil, número que, apesar de alarmante, é subnotificado. Muitas ocorrências são agravadas, levando as vítimas à morte por desnutrição, desidratação ou falência múltipla dos órgãos.
Para contribuir no combate ao atual quadro, a capacitação de agentes de saúde faz parte da estratégia de redução da mortalidade infantil nas aldeias do país. Em Cuiabá, até esta sexta-feira, acontece um curso de Capacitação de Multiplicadores em Monitorização das Doenças Diarréicas Agudas em Áreas Indígenas.
A médica Francisca Portela Correia, do departamento de Saúde Indígena da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), afirma que a meta do departamento para os próximos quatro anos é reduzir a mortalidade infantil em 50%. Para atingir o objetivo, treinamento de pessoal e saneamento básico são dois desafios a serem vencidos.
"Estamos em intensa atividade de capacitação, inclusive antropológica, para o enfrentamento do quadro epidemiológico", afirma a médica, ao anunciar que o ponto-chave da intenção primordial dos trabalhos de assistência à saúde indígena visa a eliminação da desnutrição infantil. A carência alimentar atinge não apenas as crianças indígenas, como também os idosos.
O combate destes problemas está sendo feito, segundo Francisca Correia, com o modelo da intersetorialidade, a fim de que se possa atuar nos diferentes aspectos que envolvem as comunidades indígenas. A questão da territorialidade, por exemplo, é apontada pela especialista como fundamental para o entendimento e busca de soluções satisfatórias.
O desrespeito às reservas indígenas, a expulsão das tribos destas terras para a exploração econômica - primordialmente madeireiros e garimpeiros - entre outras ações predatórias, contribuem, na avaliação da médica, de modo decisivo para os problemas de saúde e preservação da cultura dos grupamentos.
Hábitos e costumes dos não-índios têm interferido nas culturas índias. Alcoolismo e Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs/) e Aids têm sido registrados. "São duas outras situações muito preocupantes. Apenas um caso de alcoolismo em uma aldeia é suficiente para uma repercussão muito grande, tendo em vista a pequena população indígena no país", afirma Francisca Correia. Dizimados e assassinados, os índios no Brasil somam hoje em torno de 370 mil pessoas, contra aproximadamente cinco milhões, em 1500.
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