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Diamante: Exploração da Diagem começará no 2º semestre

Gazeta de Cuiabá-Cuiabá-MT
Autor: Fabiana Batista
24 de Jan de 2003

Grupo canadense fez investimentos de US$ 10 milhões em pesquisa mineral, em Juína

Desde 1995 em Mato Grosso, o grupo canadense Diagem International Resource Corp., completa em quase sete anos de pesquisa mineral no Estado investimentos de US$ 10 milhões e anuncia para o próximo semestre a primeira exploração de diamante em rocha kimberlítica do país, em Juína, a 805 quilômetros ao noroeste de Cuiabá.
Ainda não é possível mensurar a quantia a ser produzida com essa jazida, uma vez que os levantamentos disponíveis são muito antigos e não refletem a realidade atual, segundo o gerente-delegado da Diagem do Brasil, o engenheiro de Minas e Metalurgista José Aldo Duarte Ferraz. O corpo kimberlítico fica dentro da área da Diagem que detém o direito minerário de 120 mil hectares (ha) na Província Diamantífera de Juína.
Nessa área foram encontrados dez dos 30 corpos kimberlíticos (rocha primária onde se encontra o diamante e representa indício de reservas subterrâneas) descobertos desde a década de 80 em Juína, de acordo com o representante da Diagem do Brasil.
O município a noroeste de Cuiabá é hoje o maior produtor do país de diamantes. Dos 700 mil quilates (cada quilate equivale a 0,2 gramas) produzidos no Brasil no ano 2000, 500 mil foram produzidos em Mato Grosso, sendo que 400 mil quilates saíram de Juína, de acordo com informações do Departamento Nacional de Pesquisa Mineral (DNPM).
Quase toda produção em MT é de lavras artesanais

Segundo dados do Departamento Nacional de Pesquisa Mineral, cerca de 95% da produção atual de diamantes em Mato Grosso vêm de lavras artesanais e o restante, de grandes empresas de mineração. De acordo com o diretor de Fomento Mineral da secretaria de Indústria, Comércio e Mineração (SICM), Sidney Durante, o Estado conta com quatro províncias diamantíferas (distritos de Alto Paraguai, Rio das Mortes, Juína e Paranatinga), que possuem cerca de três empresas em fase de pesquisa e regularização.
A Província Diamantífera de Juína (Aripuanã) engloba uma área de cerca de 3 mil quilômetros quadrados (km2) dentro de Juína e foi descoberta na década de 70, quando o município não tinha sido desmembrado de Aripuanã.
Estima-se que, desde então, tenham sido retirados da região 20 milhões de quilates. Cerca de 80% da produção do município são de pedras industriais, vendidas por US$ 25 o quilate, valor pago pelas pedras menos valorizadas. Por outro lado, os 20% restantes estão entre as unidades mais valiosas do mundo, cerca de US$ 120, o quilate, informa o gerente-delegado da Diagem, José Ferraz. "Estimamos que já foram retiradas de Juína pedras de mais de 400 quilates, avaliadas em US$ 10 milhões", conta.
A Diagem anunciou ao governo do Estado, em reunião com a equipe técnica da SICM, que a partir da produção industrial emitirá a primeira nota fiscal de produção de diamante no Estado. "Atualmente, quase toda a exploração de jazidas de Mato Grosso é feita em garimpos clandestinos", esclarece o diretor de Fomento Mineral da SICM.
O retorno para o Estado é feito por meio da Compensação Financeira de Exploração Mineral (Cefem), que é de 0,2% sobre a receita líquida da empresa. Desse recurso, 12% vão para a União, 23% ficam para os cofres estaduais e, 65% para o município.
Jazidas secundárias também foram descobertas
Os investimentos da Diagem em Mato Grosso também foram direcionados para estudos de descobertas de jazidas de diamante secundárias (aluviões) que começam a produzir antes da área de corpos kimberlíticos. "Alguma quantidade já está sendo retirada desde novembro de 2002, mas em nível de pesquisa. A expectativa é que, nesse semestre, as reservas aluvionares produzam de 3 mil a 4 mil quilates por mês", anuncia o gerente-delegado da Diagem do Brasil, José Aldo Ferraz.
Ainda não foram concluídos todos os estudos de viabilidade econômica desses aluviões e o início da produção se dará com base em material colhido em escavações, pondera Ferraz.
A planta industrial que será utilizada na produção de diamante de aluvião foi desenvolvida pelo próprio gerente-delegado da Diagem, que é engenheiro de Minas e Metalurgia. A inovação visa por fim ao desperdício de diamante resultante das técnicas convencionais. "A planta garante percentual zero de perdas do minério ao contrário das convencionais que resultam em até 50% de desperdício".
Os equipamentos foram construídos por uma oficina de Juína, e custaram cerca de US$ 2 milhões. A planta projetada possui cerca de dez unidades de processamento, entre escavadeira, draga, trator esteira e contém apenas um equipamento que não teve produção própria.

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