O eco - http://www.oeco.com.br
Autor: Fabio Pellegrini
07 de Nov de 2012
De volta à Sinop, despedi-me dos colegas de ofício e conversei com Jairo Gabriel Rodrigues, proprietário do modesto hotel em que me hospedei. Ele chegou em 1982 ao município para trabalhar em construção civil, e atualmente está ampliando seu pequeno hotel, construindo mais 6 apartamentos. O lugar vive lotado, pois recebe prestadores de serviços de vários segmentos, vindos de outras cidades. Um tanto acanhado, Jairo contou parte da sua trajetória:
- Na época tudo aqui era difícil. O que se via era apenas madeira. O meio de vida era trabalhar em madeireira. Era a única fonte de renda. Com o passar dos anos foi expandido pra soja e gado e é isso que vem melhorando o norte do Mato Grosso.
Pergunto se a floresta era aqui na área central, da cidade, ou próxima, pois é incrível pensar no tamanho da devastação para se construir uma cidade, ainda que aos poucos. E Jairo continua:
- Quando cheguei a floresta era bem próxima, inclusive a gente lavava a roupa em um córrego bem próximo da cidade. A luz era no motor, racionada, então quando o motor quebrava, a gente ficava vários dias sem luz. Um dia tinha luz até às nove da noite, outro dia era só em outro bairro, então era tudo muito difícil. Na época a maioria das casas era de madeira. Quem tinha melhores condições fazia de tijolo. O material de construção já vinha de fora. Depois foi desmanchando e virando alvenaria. A comida vinha de fora, vinha de avião na época da chuva, não passava nem caminhão.
De volta à Sinop, despedi-me dos colegas de ofício e conversei com Jairo Gabriel Rodrigues, proprietário do modesto hotel em que me hospedei. Ele chegou em 1982 ao município para trabalhar em construção civil, e atualmente está ampliando seu pequeno hotel, construindo mais 6 apartamentos. O lugar vive lotado, pois recebe prestadores de serviços de vários segmentos, vindos de outras cidades. Um tanto acanhado, Jairo contou parte da sua trajetória:
- Na época tudo aqui era difícil. O que se via era apenas madeira. O meio de vida era trabalhar em madeireira. Era a única fonte de renda. Com o passar dos anos foi expandido pra soja e gado e é isso que vem melhorando o norte do Mato Grosso.
Pergunto se a floresta era aqui na área central, da cidade, ou próxima, pois é incrível pensar no tamanho da devastação para se construir uma cidade, ainda que aos poucos. E Jairo continua:
- Quando cheguei a floresta era bem próxima, inclusive a gente lavava a roupa em um córrego bem próximo da cidade. A luz era no motor, racionada, então quando o motor quebrava, a gente ficava vários dias sem luz. Um dia tinha luz até às nove da noite, outro dia era só em outro bairro, então era tudo muito difícil. Na época a maioria das casas era de madeira. Quem tinha melhores condições fazia de tijolo. O material de construção já vinha de fora. Depois foi desmanchando e virando alvenaria. A comida vinha de fora, vinha de avião na época da chuva, não passava nem caminhão.
Em 2005, a Polícia Federal derrubou um esquema de corrupção existente no Mato Grosso que praticamente parou o mercado local. A Operação Curupira prendeu mais de 100 pessoas, sendo 17 em Sinop - entre madeireiros, fiscais do Ibama e outros servidores públicos, despachantes, entre outros. O grupo representava uma rede de fraudes na extração e transporte de madeira da região amazônica. Muitas madeireiras foram embargadas. Consequentemente a mão-de-obra ficou sem receber e resolveu ir às ruas protestar. Jairo conta como foi aquele período:
- Nessa época meu comércio era pequeno, difícil de manter, eu estava começando. Então, passei um ano dando o que podia para as pessoas ficarem. Cozinhava arroz, ovo e pão, até a hospedagem dava, parou tudo. Eles ficaram impedidos de trabalhar e sem emprego porque as madeireiras fecharam. Lembro que teve um cliente no hotel. Se ele não pagasse adiantado eu não teria comprado o pão pro café da manhã. Levaram uns dois anos pra melhorar. Foi quando começaram as lavouras, as indústrias, e as madeireiras se reorganizaram.
Desde o momento em que cheguei à região pensava na necessidade de conversar com pessoas que não estivessem ligadas diretamente à madeira, mas que indiretamente se beneficiaram da sua exploração. As perguntas que me vêm à cabeça são: o que faríamos no lugar dessas pessoas se vivêssemos nesse local na época da colonização, passando as dificuldades que elas passaram? Onde estava e o que dizia o poder público? Os locais estão acostumados a ver a madeira como fonte de prosperidade há muitos anos. Não é simples para eles entender porque nos anos de 1970 até os de 1980 houve incentivo do governo para desmatar, povoar, e agora o ponteiro inverteu, mudou para repressão. As origens, a cultura e os incentivos para o desmatamento na Amazônia são mais complicados vistos de perto, quando nos embrenhamos em locais como Sinop.
http://www.oeco.com.br/direto-do-nortao/26630-nortao-dia-5a-relacao-das…
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