Estado de S. Paulo-São Paulo-SP
Autor: ABDORAL CARDOSO
17 de Set de 2003
Eles foram detidos em Ariquemes (RO), por corrupção e retirada ilegal de madeira
A Polícia Federal prendeu na madrugada de ontem em Ariquemes, a 200 quilômetros de Porto Velho, dez empresários madeireiros e três fiscais do escritório local do Ibama, envolvidos num esquema de corrupção e retirada ilegal de madeira de unidades de conservação e reservas indígenas. A operação chamada de Setembro Negro foi acompanhada pelo diretor executivo da PF, Zulmar Pimentel dos Santos.
Dos 17 mandados de prisão expedidos em Ariquemes pela 2ª Vara da Justiça, 13 acusados foram presos. Três não foram localizados e um conseguiu escapar do cerco feito por 60 policiais. Nove foram transferidos para a Superintendência da PF em Porto Velho e quatro permanecem presos em Ariquemes. O superintendente da PF, delegado Marcos Aurélio de Moura, não revelou os nomes dos envolvidos, alegando que o inquérito corre sob sigilo de Justiça.
Entre os presos está a ex-chefe interina do escritório local do Ibama, Maria Auxiliadora Lima Siqueira. Ela é acusada de concussão (extorsão praticada por funcionário público). No esquema, ela era a responsável pela alteração das informações das autorizações de transporte de produtos florestais (Atpf) no Sismad, sistema informatizado de controle do Ibama. A operação permitia a retirada e a comercialização ilegais de madeira das reservas indígenas.
Segundo a procuradoria federal, o golpe também envolvia empresas fantasmas.
A Polícia Federal estima que o esquema de corrupção e manutenção de empresas fantasmas e de fachada conseguiu retirar ilegalmente de Rondônia 120 mil metros cúbicos de madeira nobre. "O suficiente para carregar quatro mil caminhões", diz Moura.
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