Radiobrás-Brasília-DF
Autor: Keite Camacho
06 de Abr de 2005
A desnutrição nas aldeias em Dourados, no Mato Grosso do Sul, está diminuindo, afirma Antonio Fernandes Costa, coordenador técnico das ações da Funasa - Fundação Nacional de Saúde. Em entrevista à Rádio Nacional AM , o coordenador informou que a Funasa trabalha atualmente com duas equipes em cada aldeia da região para buscar os pacientes em estado de risco nutricional ou moderado.
"Há ainda uma equipe de busca para fazer o acompanhamento alimentar das crianças", informa. "Precisamos agora é capacitar mais ainda as cidades das regiões da fronteira com o Paraguai, onde o fluxo de índios que entram no Brasil foge ao nosso controle. Não há um tratamento adequado naquele país".
A Funasa informou esta semana que as duas últimas mortes de crianças indígenas foi causada por leishmaniose. Segundo o coordenador, são de pacientes da região de Antonio João, na fronteira do Brasil com o Paraguai. "Nós já temos o controle total da situação. Esses óbitos que vêm ocorrendo são óbitos de pacientes que estavam internados no mês de fevereiro. Tivemos apenas dois pacientes associados à desnutrição", analisa.
De acordo com Costa, a pneumonia e a diarréia foram responsáveis por outras 16 mortes. "Devido ao volume de doenças associadas e à fragilidade ambiental em que vivem, esses pacientes acabam morrendo. O fato novo foi o aparecimento de dois óbitos pela causa da leishmaniose", afirma.
Segundo Costa, a leishmaniose tem como agente transmissor o mosquito do gênero flebótomo, e como hospedeiro o cachorro. "O mosquito retira de dentro do cão, principalmente na pele, os protozoários, que são levados para os seres humanos, principalmente às crianças de até dez anos. É o que está acontecendo na região de Antonio João".
Ele acrescentou que a leishmaniose provoca a desnutrição, diagnosticada nas crianças. "É preciso ter parâmetros, nos casos de desnutrição que acontecem pelas questões sócio-econômicas destas pessoas, e a questão nova: a contaminação através da leishmaniose, que provoca a desnutrição. Estamos preparando muito essas duas questões para que possamos atacar de forma bem precisa e pontual".
Saneamento - Costa disse também que 60% dos índios que vivem na região de Dourados têm acesso a saneamento básico. Segundo o coordenador, a fundação tem trabalhado "incessantemente" para melhorar as condições de vida da população.
Ele aponta as condições ambientais em que vivem os povos da região como uma das causas do surgimento de doenças letais, entre elas a diarréia e a pneumonia. "Por falta de uma orientação melhor, as crianças acabam não se alimentando bem", explica o coordenador.
Como solução para o problema, ele vê um esforço na educação. "Se conseguirmos que essas mães façam o aleitamento materno durante os primeiros seis meses, vamos diminuir consideravelmente as patologias associadas, dando uma imunidade melhor para as nossas crianças índias".
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