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Desmate este ano deve ser maior, reconhece Minc

OESP, Vida, p. A20
16 de Out de 2008

Desmate este ano deve ser maior, reconhece Minc
Há reversão de tendência, admite ministro, mas alta não será grande

Cristina Amorim

O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, disse ontem em São Paulo que o desmatamento acumulado de 2008 na Amazônia deve ser superior ao visto em 2007. "É possível que seja ligeiramente maior, mas sem quebrar a linha de queda genérica de desmatamento. Não vai haver aumento acentuado."

Os dados que confirmam a informação serão divulgados entre novembro e dezembro. "Nos últimos três anos, houve uma queda de 28 mil quilômetros quadrados para 19 mil e, depois, para 11,8 mil, uma queda acentuada. Começou a haver uma reversão (da tendência de queda) no final do ano passado e no início deste ano."

O Prodes é o sistema oficial de contabilização de área desmatada e reúne dados de agosto a julho. Quanto ao Deter, sistema de detecção em tempo real do desmatamento, que mostra tendência da ação em campo, o ministro disse que espera uma queda nos números de setembro em relação aos do mês anterior. Em agosto, o Deter registrou 756 km2 de corte.

"O desmatamento nos últimos três meses teve média de 650 km2, a menor dos últimos cinco anos (no mesmo período). E são os três piores meses, junho, julho e agosto, pois há estiagem e queimadas. Então se mantém uma tendência de queda do corte", afirmou. "Mas nós não comemoramos o desmatamento ilegal. Nós queremos o desmatamento ilegal zero."

Minc também disse que a revisão da lista dos cem maiores desmatadores recentes da Amazônia está quase pronta, sem que o resultado mude. O Incra encabeça o rol, com seis assentamentos - outros dois estão em 40o e 44o lugares. "No essencial, as multas estão corretas", disse Minc.

A lista foi divulgada no fim do mês passado e opôs os ministérios do Meio Ambiente e do Desenvolvimento Agrário. A auditoria foi determinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva após o mal-estar. "A reforma agrária necessária para combater a desigualdade social não pode implicar em desmatamento. A floresta não pode ser tratada como terra improdutiva", afirmou Minc ontem.

A multa pelo desmatamento de 2.282 km2 nas oito áreas deveria ser de R$ 265,5 milhões. Porém, o ministro do Meio Ambiente disse que o Incra não precisará pagar - haveria, em seu lugar, a doação de terras para conservação e a recuperação de áreas degradadas nos assentamentos. Nem Minc nem o Incra até agora detalharam que terras são essas.

MAIS CANA

O ministro reafirmou que a expansão da área cultivada de cana-de-açúcar não atingirá a Amazônia. Segundo ele, as usinas que já existem na Amazônia e no Pantanal serão mantidas, mas novas não receberão autorização de funcionamento. Ele promete, para novembro, um zoneamento agroecológico nacional do produto. "Nós precisamos de mais 5 milhões de hectares para cana, para dobrar a produção, e temos 60 milhões de hectares disponíveis. Não há nenhuma necessidade (de abrir novas áreas)", disse.

OESP, 16/10/2008, Vida, p. A20

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