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21 de Set de 2016
O desmatamento na Amazônia brasileira sofreu uma drástica redução nos últimos anos. Em 2005, cerca de 19 mil km2 de florestas foram derrubadas, contra 5 mil km2 em 2014. Uma queda de 70%. Um feito que demonstra ser possível avançar no controle da destruição da floresta. No entanto, desde 2012 esta taxa insiste em se manter ao redor de 5 mil km2. A floresta, portanto, continua sendo removida, só que a uma velocidade menor. A remoção da floresta, combinada com o aquecimento global, poderá gerar impactos nefastos no regime das chuvas e nos ciclos hidrológicos da região. Portanto, o desafio imposto à sociedade está em zerar o desmatamento da Amazônia.
Este cenário de urgência e as estratégias para por fim ao desmatamento na Amazônia estão explicitados no artigo publicado esta semana no jornal científico Elementa. O artigo intitulado "Achieving Zero Deforestation in the Brazilian Amazon: what is missing?" ("Atingindo o desmatamento zero na Amazônia brasileira: o que está faltando?") é de autoria dos pesquisadores Paulo Moutinho e Raissa Guerra do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), e de Claudia Azevedo-Ramos, do Núcleo de Altos Estudos Amazônicos (NAEA/UFPa). O artigo é parte de uma edição especial da revista Elementa a qual é inteiramente dedicada ao desmatamento na Amazônia.
Confira aqui uma versão resumida em português.
Além de identificarem as ameaças sociopolíticoeconômicas à maior floresta tropical do planeta, os autores indicam seis estratégias fundamentais para por fim, de vez, ao desmatamento. São elas: (salvaguardas sócio-ambientais para as grandes obras de infraestrutura da região; incentivos positivos para a produção sustentável de commodities; política socioambiental para os assentamentos de reforma agrária; implementação do Código Florestal; direitos aos povos indígenas e comunidades tradicionais sobre seus territórios, com expansão de áreas protegidas, e; alocação de quase 80 milhões de hectares de florestas públicas ainda sem destinação para a conservação ou uso sustentável.
De acordo com Paulo Moutinho, pesquisador sênior do IPAM, o fim do desmatamento na Amazônia brasileira deveria acontecer muito antes de 2030, data estabelecida pelo governo brasileiro para pôr fim ao problema e que foi anunciada durante a Conferência do Clima, realizada em Paris, no final do ano passado. "Está cada vez mais claro, à luz da ciência, que manter floresta em pé é manter funcionando o regador de uma boa parte da produção agrícola do país e o ar condicionado de vastas áreas na região", destacou o pesquisador
"No atual contexto de perturbações políticas e econômicas, o desmatamento zero deve ser visto como uma oportunidade para aliar desenvolvimento a preservação, e não como um obstáculo ao crescimento", enfatizou a pesquisadora Raissa Guerra, que observou ainda a necessidade do controle definitivo desta problemática na região.
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