O Globo, O País, p. 12
27 de Out de 2010
Desmatamento zero é possível, diz pesquisador
Para Imazon, meta de Serra poderia ser obtida com fiscalização rígida de pequenos produtores
Adauri Antunes Barbosa, Roberto Maltchik e Catarina Alencastro
SÃO PAULO e BRASÍLIA. O desmatamento zero na Amazônia, meta lançada pelo candidato do PSDB a presidente José Serra no debate dos presidenciáveis na TV Record anteontem, é possível, segundo o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon). A meta pode ser alcançada em aproximadamente quatro anos, caso o governo federal estenda para os pequenos produtores a rígida fiscalização imposta aos grandes produtores da região, que já resultou na redução do desmatamento em 70% entre 2004 e 2009.
Para o pesquisador do Imazon, Paulo Barreto, a repressão ao desmatamento feito nas pequenas propriedades, que variam de 200 a 400 hectares, conforme o município, é necessária, mas "socialmente e politicamente mais difícil". Por isso, afirma, é importante ter paralelamente um sistema de apoio para a sobrevivência desses produtores rurais. Uma das medidas que Barreto propõe é que os pequenos recebam um pagamento para garantir sua subsistência com base na área não desmatada . Ele acredita que os resultados podem ser rápidos:
- De um ano para outro, já teremos resultados positivos. Em dois anos, o desmatamento pode chegar a metade. Em três ou quatro anos, podemos chegar perto de zero. Isso é plausível desde que haja firmeza na manutenção das medidas.
Postura de Dilma em Copenhague foi estratégia
No debate da Record, Serra também criticou a candidata do PT, Dilma Rousseff, por ter sido contra a participação do Brasil em um fundo global de combate às mudanças climáticas, na Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, em Copenhague, no ano passado. Dilma, que, como ministra da Casa Civil, era chefe da delegação brasileira, queria assegurar a participação de países desenvolvidos no fundo. Sem obter o comprometimento, o Brasil mudou de posição, e acabou anunciado um aporte de até US$5 bilhões para financiar os países pobres e insulares, no último dia do encontro, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já estava na Dinamarcax. Os EUA acenaram, por sua vez, com US$100 bilhões até 2020. Serra afirmou que ele e Marina Silva, candidata derrotada do PV à Presidência, também na cúpula, defendiam que o Brasil colaborasse com o fundo.
O Globo, 27/10/2010, O País, p. 12
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