Portal Amazônia
07 de Mai de 2008
MANAUS - Um levantamento feito pelo Instituto Socioambiental (Isa) mostra que as reservas indígenas em área de fronteira são eficientes em conter o avanço da grilagem e do desmatamento. Na maioria das 24 áreas pesquisadas, incluindo as reservas em território amazonense, o desmate acumulado até 2006 é igual ou menor que 1% da área total. As informações foram divulgadas pelo jornal Folha de São Paulo.
De acordo com a reportagem, do ponto de vista da integridade ambiental do território, no entanto, os novos da pesquisa mostram que não há ameaça. Os cálculos do estudo foram feitos pelo Instituto Socioambiental, com base em dados de desmatamento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Eles analisaram 24 terras indígenas que fazem fronteira com outros países e as que têm 50% ou mais de sua área mapeada pelo Prodes, sistema do Inpe que calcula a área desmatada. O mapeamento do ISA mostra que, dessas 24 áreas, apenas uma registra desmatamento maior que 20%, percentual máximo permitido por lei na Amazônia.
Trata-se da terra indígena Umariaçu, onde vivem cerca de 7 mil tikunas, em uma área de 4,9 mil hectares, no município de Tabatinga (a 1.108 quilômetros a oeste de Manaus). "Essa área é uma exceção, porque é uma terra pequena e colada à zona urbana de Tabatinga", afirmou a coordenadora de Sensoriamento Remoto do ISA, Alicia Rolla.
Exemplos de preservação
Segundo o estudo do instituto, os maiores exemplos de proteção das áreas indígenas estão nos estados onde a ocupação humana é mais intensa: Rondônia e Acre, no Norte do país. "Até o Parque Nacional da Serra do Divisor é mais ocupado que as terras indígenas", disse Rolla, referindo-se à unidade de conservação de proteção integral na fronteira do Acre com o Peru.
De acordo com a reportagem do jornal Folha de São Paulo, um outro estudo publicado na revista 'Conservation Biology', liderado pelo ecólogo Daniel Nepstad, da Universidade Federal do Pará (UFPA), mostrou que as terras dos índios são "hoje a maior barreira contra o desmatamento na Amazônia".
- É onde tem gente tomando conta - diz André Lima, diretor de Políticas para o Combate aos Desmatamentos do Ministério do Meio Ambiente. "Com raras exceções, as comunidades indígenas têm relações com o seu entorno. Como regra, terras indígenas são uma coisa mais bem cuidada", disse.
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