O Globo, O País, p. 14
21 de Jul de 2010
Desmatamento cresce em maio na Amazônia
Derrubada de árvores corresponde a uma área de 109,6 km2
Catarina Alencastro
O desmatamento da Amazônia no mês de maio ficou em 109,6 quilômetros quadrados, mais que o dobro do registrado em abril (51 quilômetros quadrados). Mas, comparando o período de agosto de 2009 a maio de 2010 com agosto de 2008 a maio de 2009, houve queda de 47%. Os dados são do sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real (Deter), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Em maio, Mato Grosso foi o estado que mais registrou destruição da vegetação nativa: 51,9 km2, seguido por Pará (37,2 km2), Rondônia (10,7 km2) e Amazonas (9,8 km2). Os números podem ser maiores, pois 45% das áreas dos nove estados da Amazônia Legal estavam encobertas por nuvens, o que impediu os satélites de detectar todo o desmatamento. O chefe do Inpe na Amazônia, Cláudio Almeida, disse que há tendência de queda na destruição da mata por causa das operações do Ibama e fiscalização via satélite.
- A sensação é que existe uma queda. Uma das coisas que contribuem é uma percepção por parte do agricultor de que há mais monitoramento. Hoje, eles sabem que se desmatar serão identificados - disse.
Confirmação de redução só no fim do ano
O pesquisador lembra que só no fim do ano será possível confirmar se de fato houve um decréscimo consolidado do desmatamento. É quando saem os dados do Prodes, programa que consegue captar desmatamentos de áreas pequenas (de seis hectares). O Deter só identifica parte do desmatamento, ocorrido em áreas superiores a 25 hectares.
O desmatamento identificado pelo Deter todos os meses serve de alerta para que o Ibama faça operações onde o problema está concentrado.
O combate ao desmatamento é a principal ação do compromisso que o Brasil assumiu em Copenhague, durante a Conferência de Mudanças Climáticas, no ano passado. O país prometeu reduzir em 80% o desmatamento na Amazônia. No ano passado, o Brasil atingiu a menor taxa de desmatamento desde que o governo começou a monitorar o problema, há 20 anos. Em 2009 o total desmatado foi de 7.464 km2, uma queda de 45% com relação ao ano anterior.
O Globo, 21/07/2010, O País, p. 14
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