Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
Autor: Carvílio Pires
08 de Dez de 2005
A desintrusão da reserva Raposa/Serra do Sol não irá separar famílias de índios ou índias, casados com não índios. A informação é do administrador da Funai, Gonçalo Teixeira dos Santos. "Não existe isso", destacou para dizer que compete ao casal trabalhar em harmonia com a comunidade que integram. "Nesse caso, por que separar famílias?".
Alguns críticos contrários à homologação da reserva, dizem que os índios das serras ficarão 'abandonados' iguais aos de São Marcos. No entanto, o pensamento do administrador é divergente. De acordo com ele, São Marcos integra a Raposa/Serra do Sol e os índios poderão produzir, até em larga escala, desde que tenham meios para isso.
Com o processo de retirada de não índios em andamento, ele disse que das 26 ocupações nas quais serão feitos os levantamentos sócio-econômico e fundiário, a Funai tem autorização dos posseiros para fazer o trabalho em 25 delas. Em maioria, pequenas fazendas.
Quarenta e sete pessoas já teriam recebido indenizações, restando vistorias naquelas mencionadas, em dezesseis áreas de arroz e na comunidade de Surumu. Mas, os integrantes do Grupo Técnico designado pela presidência da Funai continuam fazendo os levantamentos.
Quanto à situação de arrozeiros e moradores de Surumu, o administrador disse que a Diretoria de Assuntos Fundiários e a Procuradoria Jurídica da Funai, em Brasília, providenciam como fazer o levantamento. "Nós aqui não temos informações precisas em relação a esse trabalho".
Com base em informações que tem recebido do Grupo Técnico, ele pensa que o prazo de um ano para desintrusão da reserva será cumprido. Das quatro vilas existentes na Raposa/Serra do Sol, apenas em Surumu o trabalho não aconteceu. Em Água Fria foram elaborados 16 laudos; em Socó, 12, e em Mutum, 37. Inclusive, haveria moradores cobrando suas indenizações para poderem sair da área.
O administrador informou que não há resistência ao trabalho da Funai, em parceria com o Incra e acompanhamento do Ministério Público Federal. O único obstáculo está em Surumu, porque os moradores exigem uma reunião com a classe política (prefeito, deputados estaduais, federais e senadores) para depois decidir se aceitam ou não.
"A reunião está sendo articulada pelo Comitê Gestor da Casa Civil, aqui coordenado por José Nagib Lima. Eu acredito que o encontro pedido pelos moradores acontecerá em breve. Posteriormente, poderemos fazer o levantamento em Surumu", declarou Gonçalo dos Santos. (C.P)
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