O Globo, Opinião, p. 21
Autor: VICTER, Wagner
18 de Set de 2014
Desafios na Baía
PDBG superou os indicadores de redução de lançamento de carga orgânica
Wagner Victer
Por ocasião dos 20 anos da criação do Programa de Despoluição da Baía de Guanabara (PDBG), artigos e reportagens têm sido publicados. Alguns, corretamente, destacam os atrasos e as expectativas frustradas. É preciso, no entanto, destacar os avanços do programa, constatados, por exemplo, com o reaparecimento de cavalos-marinhos em praias da Ilha do Governador, tartarugas marinhas e momentos de balneabilidade em diversas praias.
Até 2006, o PDBG se encontrava sem resultados. A partir de 2007, o governo do estado reformulou seus projetos. Foi privilegiada a maximização da retirada de carga orgânica da Baía e foram finalizados os projetos, diferentemente do passado, quando os sistemas eram construídos segmentados. Com isso, em alguns casos, ficavam sem funcionalidade, com estações de tratamento concluídas sem receber esgoto.
Com a mudança de foco, o PDBG ganhou impulso e superou os indicadores de redução de lançamento de carga orgânica previstos no projeto original. Inicialmente, as estações de tratamento eram em regime primário (retiram pouco mais de 30% da carga orgânica), e as já implantadas são em tratamento secundário (retiram cerca de 98% da carga orgânica).
Isso significa que aumentamos, nos últimos sete anos, a quantidade de esgoto lançado com tratamento secundário de menos de 2 mil litros por segundo para aproximadamente sete mil litros por segundo, e chegaremos, nos próximo três anos, a cerca de 16 mil litros de esgoto por segundo. Tal avanço foi reconhecido pela Agência de Cooperação Japonesa (JICA), que afirmou estar "satisfeita com o adiantado estado de execução das obras relativas ao financiamento".
Entre as obras principais que permitiram alcançar a atual conjuntura mais favorável, está a colocação em funcionamento, em 2009, da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) de Alegria, no Caju, e também a da ETE Pavuna, construída havia mais de dez anos sem nunca ter funcionado. Em Paquetá já está em finalização a modernização do sistema, com momentos de liberação de banho.
Na Praia da Bica, foram retiradas oito línguas negras existentes havia décadas, e períodos de balneabilidade já ocorrem. Outras obras de melhorias para a Baía também estão sendo finalizadas, liberando para banho praias como a Urca e a Praia Vermelha.
Também vale destacar que os locais onde se realizarão as competições olímpicas de vela já estão liberados a competições, como pudemos constatar, mês passado, durante o evento-teste. O grande desafio é o lixo flutuante. O restabelecimento das ecobarreiras e a aquisição de barcos de coleta certamente darão os resultados esperados.
Estamos no caminho certo e muitos desafios já foram superados. A Baía de Guanabara é um patrimônio do Rio de Janeiro. Devemos encará-lo como processo contínuo de melhoria, há muito esperada pela sociedade fluminense, que, atônita, observou décadas de leniência no enfrentamento da questão, o que, certamente, causou descrédito, que hoje, com ações efetivas, buscamos reverter.
Wagner Victer é presidente da Cedae
O Globo, 18/09/2014, Opinião, p. 21
As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.