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Desafio lançado

O Globo, Opinião, p. 7
Autor: PIMENTA, Cleila
20 de Ago de 2007

Desafio lançado

Cleila Pimenta

Além da rica biodiversidade constituída por cerca de 200 mil espécies de plantas, animais e microorganismos, o Brasil dispõe de um grande aparato técnico na área de biotecnologia, com 3.222 doutores, 1.204 mestres e especialistas. Mas, afinal, o que é biotecnologia?
O decreto 6.041, de 8 de fevereiro de 2007, Instituiu a Política de Desenvolvimento da Biotecnologia, que estabelece as bases para o crescimento de produtos e processos biotecnológicos Inovadores no país, e definiu o termo biotecnologia como "um conjunto de tecnologias que utilizam sistemas biológicos, organismos vivos ou seus derivados para a produção ou modificação de produtos e processos para uso específico, gerando serviços de alto impacto em segmentos produtivos". 0 decreto também criou o Comitê Nacional de Biotecnologia, composto por 19 instituições governamentais e que funciona como instância consultiva e deliberativa da área de biotecnologia.
No Brasil, a atividade se concentra nos setores sucroalcooleiro, alimentício, na produção de sementes e nas chamadas 'especialidades biotecnológicas' para uso humano e animal, onde se incluem antibióticos, vacinas, soros, hormônios, ácidos orgânicos, aminoácidos, kits terapêuticos, bioaditivos, biopesticidas e kits para diagnósticos. A biotecnologia pode beneficiar segmentos industriais como saúde humana e animal, agronegócios e meio ambiente.
Dados da Associação Brasileira das Empresas de Biotecnologia (Abrabi) indicam que o mercado biotecnológico nacional corresponde a 0,9% a 1,5% do PIB. A pesquisa também constatou que 50% das empresas de biotecnologia são recentes, com menos de sete anos de existência, o que nos faz vislumbrar as potencialidades a serem desenvolvidas nos próximos anos.
Por isso, a biotecnologia é uma das áreas de desenvolvimento prioritário determinadas na Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior (PITCE), lançada em 2004 pelo governo federal e que tem a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) como grande articuladora. 0 desafio do Comitê Nacional de Biotecnologia é criar um ambiente favorável ao desenvolvimento do setor, tornando-o competitivo nacional e internacionalmente, com ações e programas relacionados à infra-estrutura, recursos humanos, investimentos e marcos regulatórios.
Outra 'arena' fundamental é o Fórum de Competitividade de Biotecnologia, coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, onde ocorrem discussões entre instituições governamentais, sociedade civil e setor produtivo para o estabelecimento de ações prioritárias de curto, médio e longo prazos.
Portanto, as perspectivas são positivas para a biotecnologia, que é uma área estratégica e portadora de futuro para a política industrial do país. 0 desafio está lançado.

Cleila Pimenta é farmacêutica industrial e secretária-executiva do Comitê Nacional de Biotecnologia pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI).

O Globo, 20/08/2007, Opinião, p. 7

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