Brasil Norte-Boa Vista-RR
24 de Mar de 2004
Consolidação das relações com a Guiana permitirá que Roraima exporte para o Caribe, América Central, Estados Unidos e Europa
Oito deputados estaduais concluíram com sucesso uma viagem de três dias a Georgetown, na República Cooperativista da Guiana, para estreitar as relações bilaterais, conhecer projetos do setor privado e abrir mais diálogo com o governo na consolidação do caminho da integração entre Roraima e o país vizinho.
A comitiva composta pelos deputados Raul Lima, Malú Campos, Lúcia Peixoto, Naldo da Loteria, Eliseu Alves, Chico das Verduras, Gute Brasil e Pedro Estevan visitou agentes do Governo da Guiana, escritórios de negócios, o Instituto Nacional de Tecnologia Agrícola, a Embaixada do Brasil e empreenderam várias reuniões com representantes de empreendimentos privados. "Nossa intenção é acima de tudo para verificar as condições em que a Guiana se encontra em relação aquilo que pode contribuir para facilitar a relação de negócios entre seus representantes e empresários brasileiros. E podemos testemunhar num primeiro início que o país é um dos caminhos viáveis para tentarmos desenvolver Roraima", disse o deputado Raul Lima.
RECEPÇÃO
Na primeira reunião em Georgetown, os deputados foram à Go Invest, uma tradicional agência de fomento guianense que faz a aproximação entre negócios públicos e privados e sugere que tipo de investimento o interessado deve fazer. Já ali os parlamentares puderam sentir que os vizinhos desejam muito estabelecer novas frentes de relacionamentos com os roraimenses especificamente.
O escritório de negócios da Go Invest faz a exposição do produto das empresas guianenses e de estrangeiros baseados no País, cujos negócios se espalham pelas ilhas do Caribe, integrantes do Caricon, o mercado comum da região, com 14 países e 8 milhões de consumidores.
Os parlamentares notaram uma receptividade bem positiva. "Os senhores estão chegando na hora certa, em que a Guiana está abrindo muitas oportunidades de negócios. Fico muito feliz que tenham vindo", disse Geofrrey da Silva, presidente do Go Invest. "É um encontro que envolve o interesse mútuo. Estamos certos de que a parceria de Roraima com a Guiana renderá bons frutos num futuro bem próximo", retribuiu a deputada Malú Campos. "Só acho que o Brasil deveria demonstrar mais interesse na consolidação de nossas relações", reafirmou Geofrrey.
Da Silva fez uma exposição de projetos que estão em vias de execução, colocando-os à disposição dos brasileiros como negócios nos setores de madeira, pecuária, bacia leiteira, transporte e mineral, além das facilidades de exportação para os paises do Caricon, cuja sede fica em Georgetown. O deputado Gute informou que Roraima tem interesse em parcerias para projetos de criação de gado de corte, plantação de arroz irrigado e criação de ovinos. "Nós temos bastante terra para a execução dessas intenções", informou Geofrrey, da agência Go Invest. Segundo ele a Guiana espera o término da ponte sobre o Rio Tacutú para reforçar sua presença na fronteira, em Lethen, no sentido de aproximar suas aproximar a relação com o Brasil.
O que deixou impressionado os deputados de Roraima é que o governo compromete-se a eliminar as burocracias para que os negócios prosperem. "Com o equivalente R$ 100,00 por exemplo é possível abrir um negócio em Georgetown com perspectiva de ganhar muito dinheiro", disse Geofrrey
Ele reforçou o pedido do governo guianense para que os parlamentares roraimenses cobrem de seus representantes no Congresso a consolidação dos acordos já firmados mas que carecem de aprovação na Câmara e no Senado.
EMBAIXADA
O embaixador do Brasil em Georgetown, Ney do Prado Diegues, debateu com os deputados uma pauta extensa de negócios do pleno interesse do povo roraimense. Informou que existem três acordos já assinados pelos dois governos que são de fundamental importância para a consolidação das relações bilaterais. A regulamentação do Acordo de Transportes de Cargas e Passageiros, entre Brasil e Guiana, vai exercer pressão benigna para dar início à operação.
Outro fator que deverá contribuir para maior aproximação e integração entre as comunidades dos dois países, é o acordo assinado que prevê isenção, aos viajantes das duas nacionalidades, da necessidade de visa em seus passaportes. E o terceiro o que trata de eliminar barreiras alfandegárias para permitir que o comércio entre as duas nações se estabeleça de forma livre.
Os deputados acreditam que tais medidas deverão contribuir, inclusive, para a expansão do turismo na Região. Segundo o deputado Elizeu Alves, "o acordo do visto, quando formalizado, irá eliminar uma série de dificuldades causadas aos que hoje enfrentam trâmites burocráticos, quando buscam visto de entrada".
"Se conseguirmos isso podem ter certeza que Roraima será o maior beneficiado. E os senhores têm papel importante para que isso se concretize. Fico muito satisfeito que tenham vindo com a missão de consolidarmos nossos acordos", disse o embaixador.
COMPROMISSOS
Os deputados entendem que o governo brasileiro deve cumprir sua parte, no compromisso assumido para a construção das pontes sobre os rios Arraia e Tacutu, tornando possível a ligação rodoviária entre Brasil e Guiana. E se comprometeram a fazer contatos com deputados federais e senadores no sentido de que os acordos sejam agilizados
O deputado Gute Brasil está muito confiante na capacidade de execução dos programas estabelecidos, consciente de que tudo isso dará grande impulso à questão do desenvolvimento de Roraima e da Guiana. E comprometeu-se em buscar em Brasília o entendimento para que os projetos tramitem com rapidez. "É o que mais desejamos. Esses acordos colocam Roraima na porta de saída para o Caribe, América Central, Estados e Unidos e Europa. Temos o caminho aberto, então faremos algo para tornar possível a realização desses acordos", disse. "O que estamos tratando aqui, juntamente com as autoridades da Guiana, é da aplicação de medidas que têm como objetivo estabelecer normas seguras que garantam progresso duradouro", disse o deputado Pedro Estevan.
PRODUÇÃO
O governo da Guiana também estuda a idéia de disponibilizar cerca de um milhão de hectares de suas terras para o plantio de grãos, tais como soja, milho, sorgo, etc. Sobre o assunto, os deputados foram ao Instituto Nacional de Tecnologia Agrícola (uma espécie de Embrapa) para conhecerem que tipos de pesquisas são desenvolvidas e como aplicá-las na produção de grãos. Novamente foram bem recebidos pelos cientistas do órgão que se comprometeram em estabelecer parcerias e disponibilizar tudo o que for preciso para a execução de projetos neste setor.
Na saudação aos guianenses,o deputado Raul Lima exaltou a importância da visita que se consumava ali e reafirmou as intenções dos brasileiros de ter os guianenses como parceiros. O NARE, como é conhecido o instituto de pesquisas, domina diversas tecnologias de plantios nas regiões do Rupununi e savanas intermediárias (áreas de fronteira com o Brasil), com grande capacidade produtiva. A intenção é povoar a fronteira com projetos agrícolas e com a pecuária, tudo que interessa aos roraimenses, segundo os deputados Gute Brasil e Pedro Estevan, especialistas na questão. Eles foram informados que a Guiana está reforçando a parceria com a Embrapa no sentido de obter mais tecnologia.
Os deputados observaram ainda no NARE que os pesquisadores correm contra o relógio, sentindo que as alianças com os brasileiros vão prosperar logo. O diretor do Instituto, Niger Cougerbatch disse que já sentiu o potencial de Roraima em recente visita empreendida aos laboratórios da Embrapa e a projetos privados. "Nós queremos acordos formais com vocês do Brasil", disse ele destacando a importância da visita dos parlamentares. "Nós queremos vocês como parceiros no desenvolvimento da agricultura aqui na Guiana e em Roraima".
Os deputados Pedro Estevan e Malú Campos ficaram impressionados com o interesse dos pesquisadores guianenses em estabelecer relações com o Brasil. "Fico contente que existe o trabalho adiantado no campo da pesquisa. Pude sentir que eles nos aguardam ansiosamente", disse Malu. "Fico satisfeito com o que vi, a troca de informações entre os setores está adiantada. A gente vem aqui na Guiana e percebe que o interesse maior na consolidação de ações conjuntas é mais deles do que nossa", observou Pedro Estevan
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