Agência Câmara-Brasília-DF
Autor: Lucélia Cristina
12 de Jan de 2004
Parlamentares da bancada de Roraima e o governador do estado, Flamarion Portela, estiveram reunidos na sexta-feira com o ministro da Justiça, Marcio Thomaz Bastos, para discutir a situação de índios e fazendeiros contrários a criação da reserva indígena Raposa Terra do Sol em área contínua. O ministro anunciou que o Governo federal vai criar um grupo de trabalho para negociar com os fazendeiros e índios medidas que possam acabar com o conflito em Roraima.
Entre as propostas apresentadas pela bancada ao ministro Márcio Thomaz Bastos e ao presidente da Funai, Mércio Pereira Gomes, estão recursos para indenização dos proprietários de terras, a garantia de recursos para as comunidades indígenas, além da conclusão da demarcação da área, a federalização de estradas e transferência ao governo do Estado de Roraima de cinco milhões de hectares de terras da União que estão nas mãos do Incra.
SOLUÇÃO PACÍFICA
Para o senador Romero Jucá (PMDB-RR), que liderou o grupo de parlamentares, a idéia é acabar com o conflito de forma pacífica. "A decisão do Governo é homologar a área. Agora isso pode ser feito num processo de entendimento, pacificando o estado, ou de conflito, incendiando o estado. Eu, como senador do estado, vou trabalhar para pacificar o estado".
PROTESTOS
Índios e fazendeiros contrários à demarcação em área contínua de da reserva indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, desbloquearam o acesso à capita, Boa Vista, na sexta-feira. As estradas estavam interditadas desde o início da semana, impedindo o acesso de caminhões e carros. Os três religiosos mantidos como reféns na aldeia Contão, no Norte de Roraima, por três dias, também foram libertados na sexta-feira.
A principal crítica de fazendeiros e índios é contra a criação da reserva em uma área contínua. A área ocupa 1,7 milhão de hectares e abriga cerca de 15 mil índios macuxis, uapixanas, ingaricós, patamonas e taurepangues, segundo a Fundação Nacional do Índio (Funai). Os manifestantes defendem a exclusão de fazendas e cidades, instaladas na atual área da reserva.
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