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Deputado vai propor CPI das ongs

Diário de Cuiabá-Cuiabá-MT
10 de Out de 2003

Dois dias após o episódio que marcou a visita da diretora do Fundo Nacional do Meio Ambiente, Raimunda Monteiro, a Guarantã do Norte [725 quilômetros de Cuiabá], o deputado estadual Pedro Satélite [PPS] propôs ontem a abertura de uma CPI para investigar a atuação das organizações não-governamentais em Mato Grosso.
Em discurso no plenário da Assembléia Legislativa, em que também se defendeu das acusações de ter ordenado a manutenção da diretora em cárcere privado, Satélite acusou as ongs de tentar barrar o progresso do Estado.
"Está claro que organizações internacionais, e até mesmo as nacionais que pregam defesa do meio ambiente, querem impedir o desenvolvimento da região", disse, em seu discurso.
Ao Diário, o deputado informou que o requerimento de criação da CPI será encaminhado na próxima terça-feira [14] para a coleta de assinaturas em plenário. "Preciso do apoio de mais de oito deputados. Com certeza vou colher de 10 a 15 assinaturas".
Tão logo seja aberta a comissão, Satélite pretende convocar "os donos" das ongs a esclarecer a origem dos recursos que mantêm seus projetos. "A gente vai apertar eles. Quero saber de onde vem esse dinheiro, quem é que paga e com que interesse".
As ongs seriam, na visão do parlamentar, ramificações de um movimento internacional contrário ao crescimento econômico do país. "Algumas prestam um grande serviço social. Mas a maioria é bancada por estes organismos internacionais", acusa.
OPORTUNIDADE - Por telefone, o diretor-geral da Associação Brasileira de Organizações Não-governamentais [Abong], Jorge Durão, criticou a proposta do parlamentar. "Esta CPI, assim como a que aconteceu no Senado, não vai dar em nada", desdenhou.
Ele se refere ao trabalho de investigação concluído em dezembro de 2002 sem evidências de uma conspiração internacional em andamento - "a maioria esmagadora atua legalmente, de boa fé e presta bons serviços", diz trecho do relatório final da CPI.
"Isso é apenas uma estratégia política. Há grupos econômicos insatisfeitos com as ongs, pois elas defendem um desenvolvimento com justiça social e sem destruição do meio ambiente", apontou o diretor.
Segundo ele, são várias as fontes de financiamento disponíveis ao chamado terceiro setor: fundos públicos nacionais, programas internacionais para o desenvolvimento e também doações.
"É muito mais legítimo receber dinheiro da cooperação internacional para defender as populações pobres e o meio ambiente do que fazer o jogo das grandes transnacionais, como a Monsanto e suas sementes transgênicas", argumentou Durão. "Tem gente que se liga ao capital internacional. As ongs de Mato Grosso devem ter pisado no calo deles".

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