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Deputada afirma que demarcação foi financiada pelo governo alemão

Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
10 de Mai de 2005

A deputada federal Maria Helena Veronese (PPS) usou a tribuna da Câmara ontem para falar sobre a crise que Roraima vive causada pela demarcação contínua de áreas indígenas.
Ela afirmou que nos corredores que vão do Ministério da Justiça ao Incra, passando pelo Gabinete Civil, a informação corrente é que os moradores de Roraima precisam se conformar porque o decreto é irreversível, fato consumado.
Maria Helena repercutiu a matéria divulgada pelo jornal Estado de São Paulo, e pela Folha de Boa Vista na qual um relatório confidencial da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), assinado pelo Coronel Gélio Augusto Barbosa Fregapani, revela que o órgão, de dentro do próprio Palácio do Planalto, acusa o interesse internacional na demarcação contínua da reserva.
"Ou seja, o governo manda a Abin investigar, ela faz o relatório, indica os interesses envolvidos, cita as organizações atuantes no contexto, revela as relações ONGs e Funai, atesta a contrariedade das populações atingidas, prevê a reação da sociedade, adverte para as relações entre determinadas organizações e governos estrangeiros, enfim, praticamente denuncia o equívoco e, mesmo assim, o governo o comete. Ora, que mal explicados interesses são esses maiores que a verdade rigorosamente explicitada no relatório da Abin?", questionou a parlamentar.
A deputada afirmou ainda que a demarcação foi financiada pelo governo alemão, que pretendeu, financiou e conseguiu a demarcação, mesmo o governo brasileiro sendo alertado pela Abin em relação aos impactos e interesses desses grupos.
"Por coisas desse tipo é que hoje, em matéria publicada na Tribuna da Imprensa, o general Carlos Lessa, um dos maiores conhecedores da realidade amazônica, afirma que estamos sob intervenção branca promovida por ONGs a serviço de interesses internacionais", enfatizou.
A deputada assegurou que todos os parlamentares de Roraima querem que as áreas indígenas sejam reconhecidas, decretadas, demarcadas e cuidadas e que os nossos índios, aculturados ou não, tenham a assistência do Estado brasileiro.
"Mas queremos também que os interesses nacionais e a perspectiva de desenvolvimento estejam acima dessa influência obscura que setores externos exercem, direta ou indiretamente, sobre nossa soberania. Que fique mais uma vez registrada a minha indignação, pois sobre muitas áreas, a Nação brasileira tem soberania relativa, enquanto pesquisadores, missionários, cientistas, consultores e organizações de todo o mundo nelas transitam livremente", concluiu.

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