Supremo Tribunal Federal-Brasília-DF
01 de Abr de 2005
Lideranças indígenas anunciaram uma série de manifestações para este mês contra a política do governo federal para os índios do país. Denominado "Abril Indígena", o movimento foi lançado em Brasília (DF) com a entrega do "Manifesto de Abril".
O documento, entregue à imprensa na sala da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, ataca veementemente o governo federal, classificando-o como um governo antiindígena. "O ritmo histórico de reconhecimento dos territórios indígenas, conquistado pelo movimento indígena, foi quebrado pelo atual governo e condicionado a um projeto neoliberal/desenvolvimentista, etnocêntrico e genocida, cuja governabilidade está sendo negociada junto a setores da oligarquia rural brasileira", declara o manifesto, assinado por entidades que formam o FDDI (Fórum em Defesa dos Direitos Indígenas).
O presidente da Funai (Fundação Nacional do Índio), Mércio Pereira Gomes, afirmou que algumas organizações indígenas se portam como se estivessem vivendo no período da ditadura militar (1964-1985). "Como alguém pode dizer que o Estado brasileiro é antiindígena quando está demarcando 12% do território nacional em prol dos índios?."
Entre as reivindicações de entidades como o Cimi (Conselho Indigenista Missionário), Coiab (Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira) e CIR (Conselho Indígena de Roraima) estão a homologação da terra indígena Raposa/Serra do Sol, em Roraima, reformulações na política de saúde indígena do governo federal e a criação do Conselho Nacional de Política Indigenista.
Para o vice-presidente do Cimi, Saulo Feitosa, o "Abril Indígena" tem por finalidade articular as entidades para ações nos Estados que culminem com uma mobilização, prevista para acontecer entre os dias 24 de abril e 3 de maio, em frente à Esplanada dos Ministérios, em Brasília.
Júlio José de Souza, coordenador-jurídico do CIR, disse que no Estado a entidade participará com reuniões na capital, Boa Vista, e em comunidades indígenas da Raposa/Serra do Sol para mostrar, segundo ele, "incompetência" do governo federal para cuidar da causa indígena. "Não dá mais para esperar. A indefinição sobre a Raposa/Serra do Sol precisa acabar." A decisão sobre a homologação da terra indígena, de 1,69 milhão de hectares, aguarda decisão do STF
As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.