O Globo, Economia, p. 35
30 de Jul de 2017
Depois de mais de duas décadas, STF julga fim do uso do amianto
De nove empresas, sete já deixaram de usar a fibra ou vão abandoná-la até 2018
CÁSSIA ALMEIDA
cassia@oglobo.com.br
Às vésperas do julgamento, no Supremo Tribunal Federal (STF), de seis ações sobre a proibição do uso do amianto no Brasil - ainda permitido por lei federal de 1995 que também está sendo questionada no Supremo -, sete empresas, das nove que atuam nesse mercado, já substituíram a fibra cancerígena ou estão prestes a substituir. Elas assinaram acordos com o Ministério Público do Trabalho (MPT) e na Justiça. Apenas a Eternit, dona da única mina de amianto no Brasil, em Minaçu, Goiás, e a Precon, de Minas Gerais, mantêm o uso da fibra. A primeira já foi condenada a substituir o amianto na fabricação de telhas até setembro de 2018, mas recorreu da decisão. A Eternit não fala sobre o assunto.
A produção vem caindo, de acordo com o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM). Em 2011, eram 306 mil toneladas. Em 2016, 177,6 mil toneladas, redução de 42%.
Quase metade do que é extraído da mina vai para o mercado externo. Segundo relatório de 2015 do DNPM, 43% da produção vão para Índia, Indonésia, México, Colômbia, Bolívia, Equador, Vietnã, África do Sul, Malásia, Sri Lanka, Zimbábue, Tailândia, Peru, El Salvador, Filipinas e Estados Unidos.
AÇÃO CONTRA LEI DO RIO NA PAUTA
Segundo a procuradora do Trabalho Marcia Kamei Lopez Aliaga, coordenadora do Programa Nacional pelo Banimento do Amianto do MPT, se o Supremo julgar inconstitucional a lei que permite o uso da fibra, a extração terá de parar. Marcia diz que, pelos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o emprego na mina já vem caindo. Eram 531 em dezembro de 2016. Em junho, eram 401.
-Nenhuma mina é perene. Estamos adiando essa discussão da remediação ambiental e dos empregos. Vamos discutir isso hoje ou daqui a 20 anos, expondo essa população ao risco por mais duas décadas?
A Imbralit, em Criciúma (SC), depois de acordo judicial, deixou de usar a fibra cancerígena em 31 de dezembro de 2015. No estado, o uso foi proibido em janeiro deste ano. Segundo o diretor de Relações Institucionais, Rui Inocêncio, num primeiro momento, as vendas diminuíram quase 50%. Além da troca da fibra, a maior e mais longa recessão da História do país afetou o movimento:
-Na transição, em 2016, foi mais grave. Hoje recuperamos boa parte de negócios perdidos, mas não conseguimos retomar o patamar de 2015. Tivemos que ajustar o quadro de pessoal. Está havendo um aquecimento no setor, e estamos contratando, mas não no mesmo nível de 2015.
Na Teadit, no Rio, que parou de usar a fibra em 2008, a queda das vendas foi de 4%. Segundo a empresa, na época, 70% dos produtos já usavam fibra alternativa. A melhoria na imagem no mercado interno e externo e entre funcionários e comunidade foi o ganho com a mudança, segundo informou por e-mail.
O julgamento de ações contra as leis que baniram o uso do amianto na cidade e no estado de São Paulo, em Pernambuco, no Rio Grande do Sul e no Rio está marcado para 10 de agosto. Também está na pauta a ação movida em 2008 pela Associação Nacional de Procuradores do Trabalho (ANPT), arguindo a inconstitucionalidade da lei federal que permite o uso. Segundo o Instituto Brasileiro de Crisotila (IBC), que reúne as empresas do setor, há uso seguro da fibra, e o banimento ameaçaria empregos.
O amianto é proibido em mais de 50 países. É considerado cancerígeno pela Organização Mundial de Saúde, sem nível seguro para uso.
O Globo, 30/07/2017, Economia, p. 35
https://oglobo.globo.com/economia/amianto-de-9-empresas-7-ja-deixaram-d…
As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.