Folha de S. Paulo-São Paulo-SP
Autor: KÁTIA BRASIL
31 de Jan de 2005
A presidência da Funai (Fundação Nacional do Índio) solicitou hoje abertura de inquérito à Polícia Federal para investigar o desaparecimento de armas no almoxarifado do órgão em Manaus, durante a invasão do prédio por lideranças indígenas do Amazonas.
A invasão durou 27 dias e terminou no sábado. Sumiram do almoxarifado da Funai 18 armas, entre fuzis de caça, espingardas calibre 12 e rifles.
Os índios que participaram da invasão negam envolvimento no caso. "Isso é estratégia dos funcionários da Funai para denegrir a nossa imagem", disse a índia Lilian Antônia Tavares, que integra a Associação do Povo Indígena Mura.
A invasão à sede da Funai de Manaus começou no dia 3 de janeiro. Uma das reivindicações era demarcação da terra indígena mura, em Autazes (113 km ao leste de Manaus). Os índios queriam também a exoneração do administrador, o sertanista Benedito Rangel _o que acabou ocorrendo, a pedido do próprio funcionário.
A desocupação do prédio só aconteceu no último sábado, após a realização de uma reunião na Justiça Federal no qual os índios apresentaram três nomes de indígenas sugeridos pelas lideranças para a administração local do órgão.
Roberto Lustosa, presidente em exercício da Funai, afirmou que os funcionários do órgão só descobriram o almoxarifado arrombado e saqueado no sábado, quando mais de cem lideranças indígenas desocuparam o prédio.
Segundo Lustosa, as armas saqueadas pertencem ao Departamento de Índios Isolados da Funai, que atua em áreas de riscos, nas quais os funcionários utilizam armas autorizadas pelo Ministério da Justiça. "A polícia vai investigar o destino das armas que foram subtraídas e os responsáveis", disse Lustosa.
Hoje à tarde, quatro peritos da Polícia Federal iniciaram um levantamento nas instalações do prédio da Funai de Manaus, que teve também portas arrombadas e armários e documentos destruídos durante a invasão.
O cacique mudurucum Dobertino Ribeiro de Matos afirmou que entre os dias 9 e 11 de janeiro os indígenas desocuparam o prédio. Quando regressaram, no dia 12, o almoxarifado já estava saqueado. "As portas estavam danificadas, as chaves arrombadas. O almoxarifado estava aberto, os documentos jogados no chão. Fizerem isso para mostrar que somos bagunceiros, quando não é verdade", disse o cacique.
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