VOLTAR

A denúcia de crimes, irregularidades e corrupação marcou CPI

Agência de Noticias do Legislativo-Campo Grande-MS
19 de Ago de 2005

O presidente da Associação dos Capitães Indígenas de Mato Grosso do
Sul - Guarani kaiowá, Dilson Duarte Riquelme fêz graves e sérias
denúncias a CPI da Desnutrição e Mortalidade Infantil Indígena de
Mato Grosso do Sul, de crimes,irregularidades e de "atos indecentes"
(corrupção), que vem ocorrendo há quatro anos, nas aldeias, desde
que assumiu a Administração Regional da Funai em Amambai-MS,
Willian Rodrigues.Em sete ítens ele informa os diferentes tipos de
abuso, que vai desde o abuso de poder até o desvio do salário
maternidade, que por quatro meses as mães indígenas tem direito de
receber, além de favorecer o tráfico de drogas, armas e munições,
bebidas alcóolicas, muitas vezes nos próprios carros oficiais e com
funcionários de sua confiança.

Segundo Dilson Duarte Riquelmi, "na comunidade não tem costume de
fazer eleição. A gente vai pela pessoa em que tem confiança e
liderança. O administrador entrou, pois alguém da confiança dele e
que não é conhecido da comunidade. Nosso país é democráticco, vai
pelo maior número que manda. Nunca foi bom ditadura, autoritarismo".
Outra denúncia grave feita pelo líder indígena foi com relação a
falta de certidão de nascimento oferecido pela Funai, que estaria
prejudicando a frequência de crianças em escolas por não poderem
efetuar matrícula. "Até criança já morreu porque não tinha o papel
para internar no hospital".

No documento apresentado a CPI e assinado por todos caciques/capitão
guarani-kaiowá, os índios denúnciam "o abuso de poder da
administrador da Funai, que utiliza a força policial a seus
interesses particulares e para proteger o seu próprio grupo que atua
a seu interesse". Tão ou mais grave é, "a utilização das verbas
destinadas para a comunidade para pagar advogado particular para
tirar alguns membros do grupo que geralmente é flagrado e preso
pelas autoridades sem porte legal de armas,ou dirigindo carros
oficiais embriagados, pelos transportes de munições e bebidas
alcóolicas".

Com relação ao salário maternidade desviados das mães indígenas,o
líder Dilson Duarte disse que as "lideranças começaram a me procurar
para ver se era normal o que estava acontecendo. Fomos a todos
chefes de Posto e disseram que o dinheiro não estava vindo, mas na
conta estava descontado". Ilustrou o fato contando uma ocorrência
dessa semana na aldeia Sossoró, município de Itacurú-MS, com Joana
Rossati:

-"Ela recebeu documentação na Funai na sexta-feira, para retirar o
benefício. Na segunda quando foi sacar o dinheiro, ele já tinha sido
sacado". Foram, então, ao Posto do INSS que constatou o saque e
anotou no próprio processo a convocação do responsável pela Funai
para explicar.Disse, também, que esses fatos estã acontecendo em
todas as aldeias guarani kaiowá.

As denúncias serão encaminhadas pela CPI, ao Ministério de Justiça,
à Secretaria de Direitos Humanos e á Presidência da Funai. Depois de
Dilson Duarte Riquelme foram ouvidos, ainda, Arsênio Vasquez, chefe
do Posto da Funai na aldeia Amambai e William Rodrigues,
administrador regional da Funai em Amambai.

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.