Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
Autor: Helder Gomes Meneses*
02 de Abr de 2004
Ao ler o manifesto em defesa da homologação da terra indígena Raposa Serra do Sol, publicado neste jornal (Folha de Boa Vista) - edição de 26/03/04, causou-me estranheza constar o nome do sindicato dos bancários, do qual sou filiado a mais de 14 anos, pois não lembro de ter sido consultado em nenhuma circunstância pela diretoria, qual seria a minha opinião sobre o tema.
Fazendo uma reflexão sobre a missão de um sindicato, diria que sua função principal é atuar na luta dos direitos trabalhistas de seus membros e que também poderia opinar sobre decisões de relevância na sociedade, mas para isso teria que efetuar consultas a todos os seus membros, para que com o respaldo de maioria posicionar-se num assunto de tamanha importância como este, de homologação ou não de reservas indígenas.
Observando o tamanho do manifesto em primeira página no principal jornal da cidade, com o apoio de tantas organizações, fica parecendo que grande parte da sociedade roraimense está mobilizada no apoio à homologação da reserva. Mas, analisando com maior profundidade vejo que retirando as organizações ligadas aos movimentos religiosos fica só o sindicato dos bancários e o sindicato dos vigilantes de Roraima, e que o primeiro é o que estou em público reivindicando o direito de opinião.
Não tenho a pretensão de subjugar os nativos da nossa região, que vulgarmente são chamados de índios, pois acredito que estes são brasileiros com características culturais muito peculiares que devem ser respeitadas, como qualquer outro brasileiro em qualquer região deste grande país continente.
Mas sim questionar, como se pretende fazer justiça de forma injusta? Sim, é desta forma que estão sendo feitas a coisa, pois estão procurando proteger e indenizar brasileiros nativos (índios) somente dando terras, com a expulsão de outros brasileiros não tão nativos assim (não índios). É o que está se pretendendo fazer em Pacaraima. E de uma forma obscura, pois se fala em área contínua, mas ninguém sabe responder: continua até onde? Até a ponte do Cauamé? Boa Vista também entrará? Até onde? Será que quando for finalmente definida a área pretendida para a "Raposa Serra do Sol", acabarão as demarcações de outras reservas? Tem outra questão que me deixa pensativo. Por que a instituição responsável pelas defesas das fronteiras (Exército) teve que entrar na Justiça para construir uma sede no Uiramutã? Por que é tão importante que as áreas das fronteiras entrem na demarcação? Se Boa Vista for considerado área indígena, teremos que sair também? Se isto acontecer ficaremos como os povos curdos, expulsos de nossas terras e sem ter para onde ir? Pois somos considerados invasores, é o que está escrito no manifesto citado, no final do seu primeiro parágrafo "...proteger interesses particulares de invasores...".
Seria só uma questão de bola da vez? Eu vos afirmo que não, não somos invasores! Invasores foram os portugueses. Nós somos também nativos da região, mestiços, e como meio irmãos também reivindicamos os nossos espaços, a única diferença é que somos mais catequizados que os outros.
Todos nós sabemos que os nativos de nosso país no passado foram, assassinados, torturados, catequizados, pelos "PORTUGUESES". Que os Maias, Incas e Astecas também sofreram as mesmas, ou talvez piores circunstâncias nas mãos dos "ESPANHÓIS", e acredito que se deva reparar este erro e proponho que seja reivindicada uma indenização "financeira" nos tribunais internacionais, e proponho também, que sejam criadas reservas em ilhas, respeitando as fronteiras, as cidades e as estradas, e que não seja permitido dentro das reservas, o extrativismo comercial de qualquer natureza em nome da preservação. Proponho mais ainda, que sejam promovidos novos conhecimentos para os nativos que assim o desejarem, para a geração de riquezas em nome de sua comunidade numa mínima agressão à natureza.
As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.