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Autor: Wilson Silveira
10 de Mai de 2013
Quatro anos após a demarcação da reserva Raposa Serra do Sol e a expulsão dos fazendeiros, em Roraima, os índios continuam divididos. Os que defendiam a permanência dos fazendeiros em espécies de ilhas dentro da reserva dizem que a vida piorou. Os que defenderam a retirada dos fazendeiros dizem que agora têm condições de produzir. A demarcação de terras indígenas é o tema da terceira reportagem da série.
CANTO GUARANI
Os fazendeiros, principalmente produtores de arroz irrigado, ocupavam cerca de 10% da reserva Raposa Serra do Sol. Com a demarcação, há quatro anos, todas as pessoas não índias foram expulsas da reserva, e as fazendas foram abandonadas. Muitos índios que trabalhavam nessas fazendas foram morar em Boa Vista. Outros continuam na reserva, mas vivendo com renda de programas sociais, por não terem condições de se autossustentarem.
A índia Deolinda Pereira Macuxi mora na reserva, mas tem um barraco na periferia de Boa Vista, em lote que ganhou do governo. Ela afirma que não tem condições de sobreviver na reserva:
"Nós somos agricultores, mas não tem ... Comprando aqui e levando Raposa Serra do Sol. Cortar. Comprando farinha, arroz, comprando até melancia."
Segundo Deolinda Macuxi, até mesmo índios que lutaram pela reserva saíram de lá após a demarcação e foram morar em Boa Vista:
"Até o pessoal que brigou pela reserva tão morando aqui na cidade. Hoje, eles estão aqui na cidade. Eles não estão na área Raposa Serra do Sol. Eles estão procurando a melhoria deles aqui. E nós lá."
O índio Avelino Macuxi, marido de Deolinda, também critica a demarcação.
"Minha vida antes, eu trabalhava, para manter minha família, eu tinha a vida mais digna. Hoje, depois da demarcação da raposa serra do sol, ficou péssima, não melhorou fez é piorar, acabou a estrada, hoje ela está péssima, e não tem mais estrada boa, tudo se acabando, então não melhorou, fez é piorar, então ficou isolado, não tem acesso mais, e pior, a Funai hoje não assiste as comunidades indígenas, e a gente fica lá isolado, sem apoio de nada."
Deolinda e Avelino Macuxi são ligados à Sociedade de Defesa dos Índios Unidos do Norte de Roraima, a Sodiur, que defendia a demarcação descontínua da reserva, para preservar a produção irrigada e os rebanhos de gado de não índios. O presidente da Sodiur, Lu Pedro, diz que a demarcação deixou alguns índios na miséria, mas que outros estão produzindo na reserva. De modo geral, ele diz que a demarcação não cumpriu seu objetivo:
"Para o indígena que quer desenvolvimento, que quer um futuro promissor, que quer um futuro melhor para sua geração, ela não cumpriu [seu objetivo]."
CANTO GUARANI
Os índios que defendiam a demarcação contínua da reserva dizem que a vida melhorou após a demarcação. Este é o caso de Aguinaldo Macuxi:
Nós estamos com plantio de feijão, com plantio de milho, de mandioca e criação de gado. Nós estamos com 500 reses aqui dentro da fazenda. Pela conversa dos políticos, os deputados dizem que nós estamos morrendo de fome, mas ninguém está morrendo de fome."
O índio Nazareno Macuxi, que também mora na reserva, afirma que os indígenas trabalham com dificuldade, mas que vão conseguir:
"Nós temos que mostrar que os indígenas são capazes de ser um produtor. Com certeza, daqui a dez anos nós vamos provar que indígena é capaz de estar trabalhando e ser produtivo aqui nessa região."
O Conselho Indígena de Roraima (CIR), que lutou pela demarcação, afirma que o processo foi um sucesso e nega que a maioria esteja em dificuldades para sobreviver com o fruto do seu trabalho. O coordenador do Conselho, Mário Nicácio Wapichana, diz ainda que muitos índios criam gado e outros plantam mandioca e milho, principalmente, e vendem o excedente para comprar os gêneros alimentícios de que não dispõem.
"Do jeito que está, está tudo certo ... Não estão abandonados como diz a mídia."
Mario Wapichana nega que as terras antes ocupadas por fazendeiros estejam abandonadas:
"Plantam grãos.... Plantam melancia."
CANTO GUARANI
Não há um levantamento exato do número de índios que moram na reserva Raposa Serra do Sol. Os números divulgados variam de 18 mil a 25 mil, numa área equivalente a 11 cidades de São Paulo. Ao todo, Roraima tem mais de 30 terras indígenas, que ocupam 46% do território do estado.
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