Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
05 de Jan de 2005
O vice-governador de Roraima, Erci Moraes, disse ontem que o sentimento do Governo do Estado em relação à decisão da ministra Ellen Gracie é que "foi uma medida sábia", porque parece demonstrar que no fundo o Supremo Tribunal Federal está se propondo a mediar uma solução que atenda as partes envolvidas na questão.
"Entendemos que o fato de avocar todas as decisões para o Supremo é salutar na medida em que o ministro Nelson Jobim tem uma posição firmada sobre isso desde que ocupou o Ministério da Justiça, no sentido de atender todos os segmentos. A decisão da ministra Ellen Gracie teve a prudência necessária para que o entendimento do Governo Federal com a sociedade roraimense de maneira geral, se desenvolva de uma forma mais justa", declarou o governador em exercício.
PRODUTORES - Presidente da Associação dos Arrozeiros de Roraima, o empresário agrícola Luiz Afonso Faccio tem uma linha nacionalista. Para ele, a decisão da ministra demonstra que há brasileiros conscientes que querem fazer justiça com o povo e com a nação brasileira.
Disse que a suspensão dos efeitos da Portaria 820/98 que previa a demarcação da reserva indígena Raposa/Serra do Sol em área contínua até que o Supremo Tribunal Federal decida a questão, desperta na sociedade roraimense - indígenas, produtores, o Estado e o próprio país - o espírito de que todos podem sair ganhando.
Afonso Faccio entende que a suposta homologação da reserva prevista para o dia 18 próximo não foi frustrada com a decisão de Ellen Gracie. "O presidente também ganhou porque ele estará defendendo a sua pátria", disse, destacando a audiência que o governador teria com o presidente da República, levando o sentimento de todos os segmentos da sociedade de Roraima.
O produtor agrícola acredita que a maioria da população de Roraima é a favor da demarcação desde que ela respeite os municípios e suas áreas de expansão, as vilas regularmente instaladas na região, as estradas, bem como as áreas produtivas. Ele criticou o presidente do Incra, Rolf Hackbart, por chamar proprietários rurais - possuidores de títulos definitivos - de grileiros.
"Acho que a população não aceita a demarcação da forma como defendida pela Funai, a não ser algum político que queira negociar a homologação da reserva em área contínua em troca de emendas parlamentares. Mas estes, amanhã ou depois serão conhecidos. O dinheiro que se possa conseguir para cá, que pode ser levado para outros fins, é pouco diante dos benefícios que o setor produtivo pode dar na forma de empregos, arrecadação de impostos e consolidação do futuro econômico do Estado, que pode ser traduzido como a liberdade dessa sociedade", declarou Faccio. (
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