VOLTAR

Dados de térmicas no PAC conflitam com Aneel

OESP, Economia, p. B11
24 de Jan de 2008

Dados de térmicas no PAC conflitam com Aneel
Tabela apresentada no balanço do programa antecipa previsões de inaugurações de usinas

Leonardo Goy

O governo incluiu no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) um cronograma de inauguração de usinas termoelétricas bem mais otimista que o da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A tabela apresentada na terça-feira, no balanço do PAC, informa que 13 usinas térmicas começarão a gerar energia neste ano. Mas, de acordo com os relatórios de fiscalização disponíveis no site da agência - atualizados no dia 15 deste mês -, sete dessas usinas só começarão a gerar em 2009 ou até mesmo em 2010.

Somadas, as potências das usinas que estão com os dados conflitantes somam 742 megawatts (MW), o equivalente a 58% dos 1.275 MW de térmicas que, segundo o governo, deverão entrar no sistema este ano.

Um dos casos discrepantes é o da TermoManaus. Pelo calendário do PAC, a usina, de 142 MW, deverá entrar em operação no segundo semestre de 2008. Nas tabelas da Aneel, porém, a estimativa é de que a usina comece a gerar apenas em 2009. A Usina de Pau Ferro I, em Pernambuco, também começaria a gerar energia no segundo semestre deste ano, segundo o PAC, mas, de acordo com a Aneel, só funcionará em 2010. Além disso, o PAC diz que a usina tem capacidade de 94 MW, mas a Aneel informa que a potência é de 64 MW.

No caso das hidrelétricas, as previsões do governo e da Aneel coincidem. Mas as discrepâncias voltam a aparecer nos dados das Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs). Pelo PAC, a Usina de Porto das Pedras (28 MW), em Mato Grosso do Sul, deve ser acionada ainda neste ano. Já nos relatórios da Aneel, a estimativa é de que ela comece a produzir em 2009.

Segundo o Ministério de Minas e Energia, existem diferenças entre os dados porque suas projeções são baseadas em outros relatórios, elaborados pelo Departamento de Monitoramento do Setor Elétrico (DMSE), órgão que, segundo o governo, é integrado também pela Aneel.

Outro dado questionável apresentado no PAC refere-se à situação do gasoduto Cabiúnas-Vitória. A obra está, de fato, pronta, mas está atrasada a licença do Ibama que permite a operação do duto.

No balanço do PAC mostrado pelo governo no dia 22, constava que a licença sairia até 21 de janeiro. Mas o Ibama informou ontem que a questão ainda está sendo analisada na área técnica.

A expectativa do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) é de que a licença saia entre o fim desta semana e o início da próxima. A Petrobrás, responsável pelo duto, informou que a licença deverá sair até a próxima quarta-feira, 30 de janeiro, e disse que o atraso não compromete a previsão constante do PAC de que o gasoduto entrará em operação em 15 de fevereiro.

O gasoduto Cabiúnas-Vitória é particularmente importante porque permitirá geração adicional de 1.000 MW nas termoelétricas de Macaé e Termorio, ambas no Rio. O início da operação desse gasoduto foi apontado pelo governo como um dos fatores que poderão aliviar as preocupações sobre o abastecimento de energia no País. O duto tem capacidade de bombear cerca de 5,5 milhões de metros cúbicos diários de gás natural da Bacia do Espírito Santo para as térmicas.

OESP, 24/01/2008, Economia, p. B11

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.