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Curso será ministrado por professor indígena no período de fevereiro a abril, às
segundas e quintas-feiras, na OPIAC

AGÊNCIA DE NOTÍCIAS
22 de jan de 2008

Buscando a preservação da língua indígena, a Biblioteca da Floresta, em parceria com a Comissão Pró-Índio do Acre (CPI-AC) e a Organização dos Professores Indígenas do Acre (OPIAC), promove durante os meses de fevereiro, março e abril deste ano, segundas e quintas-feiras, das 19 às 21 horas, no auditório da instituição, um curso experimental de
iniciação à língua Hãtxa Kuî do povo Huni Kuî, conhecido pelos não-índios por Kaxinawá.
Com aproximadamente seis mil pessoas ocupando doze terras indígenas em cinco municípios do Acre, o Huni Kuî é o povo indígena mais numeroso do estado, conhecido pela alegria, paz e fidelidade às suas tradições, cujas lembranças são sempre resgatadas em suas pinturas,roupas e variados artesanato.
O curso será ministrado pelo professor indígena Joaquim Paulo de Lima Kaxinawá, com monitoração da antropóloga italiana Daniela Marchese. Joaquim Maná é natural da região de Tarauacá e vive atualmente na aldeia Mucuripe, na Terra Indígena Praia do Carapanã. Desde 1983 é professor indígena bilíngüe, tendo publicado cinco livros em língua huni kuî além de diversos outros em português.
Em 2000, concluiu o Magistério Indígena pela Comissão Pró-Índio do Acre (CPI-AC), e em 2006 formou-se pela Universidade Estadual do Mato Grosso (UNEMAT) no curso de Licenciatura para Professores Indígenas, o primeiro curso superior do Brasil voltado para público indígena. Sua monografia de conclusão de curso foi escrita em huni kuî e trata dos
padrões geométricos (kene) tradicionais de seu povo. Este trabalho deu origem ao livro Nukû Kene Kena Xarabu (OPIAC, 2006). Maná é o atual coordenador da Organização dos Professores Indígenas do Acre (OPIAC).
Contando com um número de 20 vagas, cujo excesso implicará em uma seleção realizada entre os dias 28 e 31 de janeiro, o curso é destinado ao público não indígena, preferencialmente a pessoas que querem aprender e valorizar a política lingüística dos povos do estado do Acre. Os candidatos escolhidos terão a oportunidade de aprender o vocabulário básico, alguns aspectos gramaticais da língua e também um pouco da cultura dos Huni Kuî podendo formular pequenas frases e manter alguns diálogos em hãtxa kuî.
Será oferecido aos alunos material básico para a orientação das aulas. Além do livro "Lições para a Aprendizagem da Língua Kaxinawá" (Susan Montag, 2004), que deverá ser adquirido por cada aluno no momento da matrícula, filmes e CD´s feitos por videastas e professores indígenas do Acre, bem como cartilhas e outros materiais didáticos destinados às escolas huni kuî. Ao final do curso, os alunos receberão um certificado. A monitora Daniela Marchese, 42 anos, desenvolve pesquisas no Acre desde o ano de 1997; sua dissertação de mestrado foi premiada na VI edição do concurso de teses organizado pelo Centro Orientamento América Latina de Florença que deu origem ao livro: "Eu entro pela perna
direita: Espaço, representação e identidade do seringueiro no Acre" (EDUFAC, 2005).
Atualmente, ela está cursando o doutorado na Universidade de Siena e sua tese tratará das mudanças sócio-culturais ocorridas entre os Kaxinawá após a demarcação de terras indígenas, no que diz respeito à organização do espaço. Na Itália, Daniela trabalhou durante seis anos ministrando aulas de italiano para estrangeiros.
As inscrições estão abertas até sexta-feira (25) e podem ser feitas na própria Biblioteca da Floresta ou pelo email biblioteca.floresta@ac.gov.br Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email , onde o candidato deverá apresentar uma carta de intenções falando sobre suas motivações para participar do curso. Os candidatos selecionados serão informados por email
ou telefone. A matrícula poderá ser feita no período de 4 a 8 de fevereiro.Considerando que o curso é gratuito e dispõe de poucas vagas, no momento da matrícula, o aluno deverá assinar um termo de compromisso em participar de todas as etapas do mesmo. O inicio está programado para 12 de fevereiro de 2008.
Ao final do curso, o Centro de Formação dos Povos da Floresta (CPI-AC) emitirá os certificados para os alunos que tiverem tido um bom desempenho e que tenham freqüentado, no mínimo, 75% das aulas. Realização do Governo do Estado do Acre através da Fundação Elias Mansour e Instituto da Diversidade/Biblioteca da Floresta.

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