JB, Internacional, p. A15
26 de Ago de 2004
Cupuaçu gera energia na Amazônia
Em algumas semanas o projeto de Gaseificação da Amazônia vai inaugurar um equipamento que utiliza a casca do cupuaçu como biomassa para a geração de energia, informou a revista eletrônica ComCiência.
A geração não será de grande escala, mas chegará a 20 kW (energia que pode acender 200 lâmpadas de 100 watts), suficientes para alimentar uma agroindústria para a extração e venda da polpa do cupuaçu, hoje vendida in natura.
O sistema está em teste desde junho e beneficiará 187 famílias. A experiência é coordenada pelo Centro Nacional de Referência em Biomassa (Cenbio) da USP, em parceria com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e o Instituto de Pesquisas Tecnológica (IPT).
- A casca do cupuaçu foi escolhida por ser o resíduo mais abundante na comunidade de Tuiué, onde está instalado o sistema - explica Sandra Apolinário, engenheira do Cenbio, à revista.
Essa casca é queimada em um aparelho chamado gaseificador, que promove uma combustão incompleta e não produz fumaça, mas um gás com poder calorífico equivalente a cerca de 25% do gás natural.
O gás é adicionado ao motor a diesel, reduzindo em até 80% o consumo do combustível.
O sistema tem capacidade líquida de 15 kWh, consumindo 20 quilos de cascas de cupuaçu por hora.
O custo da unidade de gaseificação foi de aproximadamente R$ 100 mil, custo superior aos sistemas diesel instalados, mas com benefícios sociais e ambientais superiores.
A gaseificação da biomassa ou de qualquer combustível sólido é conhecida há muito tempo, mas veio à tona com a primeira crise do petróleo. Houve muitas iniciativas em pesquisas com este método como opção energética, uma vez que o gás é um combustível mais limpo e que prolonga a vida útil dos motores que o utilizam.
O gás produzido na gaseificação é menos poluente do que o dos antigos gasogênios (aparelho que produz gás combustível pela queima de carvão), porque passa por dois sistemas de limpeza.
A energia produzida a partir da biomassa pode utilizar uma grande diversidade de resíduos vegetais.
JB, 26/08/2004, Internacional, p. A15
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