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Cultura afro recebe apoio financeiro

MEIRE OLIVEIRA, Grupo de Emails ANAIND (yahoo)
Autor: MEIRE OLIVEIRA
08 de Nov de 2007

Cultura afro recebe apoio financeiro

MEIRE OLIVEIRA

A produção de comunidades de terreiros e quilombos vai contar com linhas de financiamento do Banco do Brasil. A parceria entre representantes da instituição e da Associação Cultural de Preservação do Patrimônio Bantu (Acbantu) visa a qualificação e comércio dos trabalhos realizados, cuja manutenção é inteiramente custeada pelos líderes espirituais e demais integrantes das casas.
O encontro entre os envolvidos ocorreu ontem pela manhã na Casa de Angola, onde pelo menos 30 projetos em áreas como confecção, artesanato e arte estavam representados.
"São 1,2 mil terreiros cadastrados na Acbantu. Se a gente conseguir vender entre nós mesmos geramos uma boa renda e o dinheiro fica no nosso meio. Acredito que podemos crescer assim", pondera o presidente da Acbantu, tata Raimundo Konmannanjy.
Há pelo menos seis anos a nengua de inquice (nome do cargo mais alto ocupado por uma mulher em um terreiro de nação angola ) do Centro de Cabloco Sultão das Matas, Maria Conceição Souza dos Santos Costa, mantém o fabrico de bolsas, bonecas e confecção de roupa para rituais. "Tudo é feito com nosso suor. A ajuda de todo mundo que faz
continuar", afirma.
O centro também oferece oficinas de dança, percussão e capoeira para crianças e jovens com idade entre 6 e 17 anos.
No bairro de Tancredo Neves, os fios de contas de todas as nações, o material em cerâmica e os bordados em richelieu são colocados à venda durante as festas. "Mas a saída não é suficiente. Boa parte do povo que vai é filho da casa mesmo.
Quem compra esse tipo de coisa nem sabe que a gente faz. O dinheiro que a gente consegue volta todo para a produção", diz a nengua de inquice do Onzól Gongobira Dandaluna, Edleuza dos Santos.
O apoio, que vem por meio da estratégia Desenvolvimento Regional Sustentável (DRS), envolve uma série de ações que vão desde a capacitação da mão-de-obra até a comercialização com o apoio de instituições parceiras como o Sebrae.
As iniciativas devem obedecer quatro requisitos: ser economicamente viável, socialmente justa, ambientalmente correta e culturalmente diversificada. "O primeiro passo é o levantamento das atividades praticadas nos terreiros para depois elaborar um plano de negócio para cada um", explica o vice-presidente do Banco do Brasil, Luiz Oswaldo Sant`iago.

Após a primeira fase, é elaborado o plano de negócios, que consiste na definição dos objetivos, das metas e as ações para cada caso.
O monitoramento e a avaliação do processo também fazem parte da estratégia. O DRS é um mecanismo do Banco do Brasil que apóia atividades produtivas visando geração de trabalho e renda. Por meio do processo chamado "concertação" a sustentabilidade é estimulada, com apoio de assistência técnica, novas tecnologias, capacitação e consultoria.

CINEMA - A população afro-descendente também é público-alvo de um programa voltado para o audiovisual.

De 10 a 18 de novembro, os 24 alunos selecionados terão a oportunidade de produzir vídeos sobre um dos temas da oficina: "O Negro e o Cinema". As aulas acontecerão na Axé Filmes Casa de Cinema da Bahia, na Federação.

"As pessoas precisam ter noção de si próprias enquanto membros do coletivo e o audiovisual, de qualquer forma que for usado, nos dá uma idéia disso", defende o cineasta carioca Luiz Carlos Saldanha, um dos convidados para ministrar o curso. Ele diz que sua intenção, durante a oficina, é priorizar os temas étnicos.
As aulas não obedecerão a uma programação fixa, segundo explica Saldanha. "É uma atividade audiovisual, é difícil definir como será exatamente". Apesar de não ter um passo a passo, o trabalho contará com aulas técnicas, dicas de produção e um pouco de criação.
"Fala-se, divide-se em grupos e vamos trabalhar, fazer cinema", acrescenta o diretor, que pretende estimular a produção de ficção, mas sem limitar as turmas.
Cada grupo produzirá um filme com até cinco minutos, em média.
Os três melhores trabalhos deverão ser apresentados no lançamento do Bahia Afro Film Festival, que será realizado em novembro de 2008, ainda sem data definida.

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