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Cultivo de algas marinhas como alternativa de renda para famílias caiçaras

ICMBio - www.icmbio.gov.br
10 de set de 2010

O cultivo de uma alga marinha conhecida como Kappaphycus alvarezii pode se tornar uma boa alternativa de renda para as populações caiçaras da APA Cairuçu. O projeto da Universidade Federal Fluminense, em parceria com a Secretaria de Pesca e Agricultura da Prefeitura Municipal de Paraty, prevê um trabalho experimental de cultivo da alga com famílias caiçaras, fornecendo capacitação e o apoio técnico necessário para a produção e venda da matéria-prima. A APA Cairuçu apoia o projeto, participando do monitoramento dos possíveis impactos do cultivo sobre a vida marinha.

A alga Kappaphycus alvarezii possui grande valor comercial porque dela é extraída a goma carragena, utilizada amplamente na indústria cosmética e alimentícia, em inúmeros produtos que vão desde a pasta de dente, até a cerveja. O Brasil importa dez mil toneladas desta goma anualmente, produzindo apenas 10% do que a indústria nacional precisa. A demanda pela matéria-prima é muito grande. Segundo Henrique, da empresa Sete Ondas, "se todos os pescadores e maricultores de Paraty cultivarem e venderem esta alga, ainda assim haverá demanda por esta matéria-prima no mercado nacional".

Presente em mais de 20 países, o cultivo da Kappaphycus alvarezii foi autorizado na região sudeste brasileira pela Instrução Normativa do IBAMA no185 de 2008. Por se tratar de uma alga exótica - que não é natural do litoral brasileiro - foram realizados estudos científicos antes de sua utilização no Brasil, com o objetivo de verificar se esta alga poderia gerar impactos negativos no meio ambiente. Os estudos concluíram que o risco ambiental da Kappaphycus alvarezii é muito baixo, pois ela não compete com a flora marinha local, não tem o potencial de se fixar ou se dispersar e nem de se reproduzir de maneria autônoma. De acordo com o coordenador do projeto, Prof. Dr. Roberto Villaça, "os estudos científicos verificaram, ainda, que esta alga presta serviços ambientais como a purificação da água, e seu cultivo serve como alternativa para a pesca de arrasto, que é muito agressiva ao meio ambiente".

Segundo cálculos dos cientistas da UFF, cada produtor pode lucrar até trinta mil Reais em um ano com o cultivo da Kappaphycus alvarezii nas águas de Paraty. Dentre as vantagens apresentadas, está o ciclo de cultivo da alga, que é de 45 a 50 dias entre o plantio e a colheita, tempo muito menor do que em outros produtos de maricultura, o que permite uma renda quase mensal aos produtores.

Esta atividade, como qualquer outra, deve ser licenciada pelas autoridades competentes, como a Capitania dos Portos, INEA, Ministério da Pesca e Unidades de Conservação. "A APA Cairuçu apoia essa pesquisa e o cultivo da alga como alternativa econômica para as comunidades caiçaras" comentou Eduardo Godoy, chefe da unidade de conservação. Os participantes do projeto receberão curso de capacitação para aprender a cultivar a Kappaphycus alvarezii, e receberão apoio e orientação para licenciar a atividade e também para vender a alga produzida. O Secretário de Pesca de Paraty, Cesar Romero, promoverá a seleção dos interessados e lembra que é importante ter compromisso com o cultivo da alga, que requer dedicação diária para ser bem sucedido. Os pescadores, maricultores e demais interessados em participar do projeto devem procurar a Secretaria Municipal de Pesca e Agricultura, localizada na praia do Pontal.

http://www.icmbio.gov.br/brasil/RJ/area-de-protecao-ambiental-de-cairuc…

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