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CTNBio libera comercialmente mais um milho transgênico

OESP, Vida, p. A18
17 de Ago de 2007

CTNBio libera comercialmente mais um milho transgênico
Pedido da empresa Monsanto aguardava votação desde 1999 e foi acatado por 15 votos

Lígia Formenti

A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) aprovou ontem a liberação comercial do milho transgênico Guardian, desenvolvido pela Monsanto e resistente a insetos. Foram quinze votos favoráveis ao pedido, uma abstenção e um voto contrário. O pedido, depositado no conselho em 1999, foi votado diante de olhares perplexos do público que estava no auditório do Ministério da Ciência e Tecnologia, onde a reunião se realizava. Embora estivesse na pauta, a expectativa era que o assunto não fosse apreciado ontem.

Foi uma votação rápida e silenciosa. Mas a perspectiva é de que a decisão provoque ainda muita polêmica. Ontem, horas depois da votação, o Greenpeace divulgou um comunicado repudiando a decisão. "A CTNBio é guardiã da bio-insegurança", afirmou Gabriela Vuolo, coordenadora da campanha de engenharia genética do Greenpeace. A advogada da organização não-governamental Terra de Direitos Maria Rita Reis questionou a legalidade da decisão.

Uma liminar na Justiça Federal do Paraná havia determinado que a CTNBio não julgasse nenhum pedido de liberação comercial antes de criar normas de monitoramento e de coexistência entre milho geneticamente modificado e cultura de milho convencional. As duas regras foram votadas ontem e, de acordo com o presidente da CTNBio, Walter Colli, isso abriu caminho para que outros processos fossem avaliados. A liminar havia sido concedida numa ação civil pública movida logo depois da aprovação da liberação comercial de outro milho transgênico, o produzido pela Bayer.

A representante do Ministério Público na CTNBio, Maria Soares Cordioli, preferiu analisar as votações de ontem antes de informar se ingressaria ou não com recursos na Justiça. "Há certa dúvida sobre a eficácia de tal decisão", disse. Para ela, antes de colocar em julgamento outros processos, seria necessário que a Justiça do Paraná analisasse as duas instruções para verificar se as exigências da liminar foram satisfeitas. Somente com o aval a CTNBio poderia analisar outro pedido.

Colli deverá encaminhar a resolução ao Conselho Nacional de Biossegurança, formado por onze ministérios e presidido pela Casa Civil. Cabe ao órgão dar a palavra final sobre a liberação. Se não houver questionamentos na Justiça ou recursos no Conselho Nacional de Biossegurança, a semente pode estar no mercado em dois anos.

Para o presidente da CTNBio, não será preciso fazer novas normas de monitoramento e coexistência. A regras aprovadas ontem, afirmou, são válidas para todos os tipos de milho transgênico.

Cerca de 50 integrantes do MST ajudaram a lotar ontem o auditório onde a reunião da CTNBio foi realizada. Antes da votação da instrução normativa da coexistência de cultura de milho transgênico e culturas tradicionais, os manifestantes levantaram cartazes com os dizeres "CTNBio faz mal ao Brasil."

Divergências na comissão atingiram o auge na reunião de ontem

As divergências que já existiam entre dois grupos da CTNBio atingiram seu auge ontem. Em protesto contra a forma como foram apreciadas as propostas para normas de coexistência e monitoramento de milho transgênico e de cultura tradicional, seis integrantes da CTNBio deixaram a sala de reunião antes das votações da tarde.

"Não há espaço para discussão dentro da comissão", afirmou o pesquisador Paulo Branke. De manhã, ele havia proposto um texto alternativo para regras de monitoramento de culturas de milho transgênico. "Em vez de incorporarem sugestões, a votação foi de um texto contra o outro", disse a integrante do Greenpeace, Gabriela Vuolo.

Carmem Luiza Cabral Marinho, especialista em Saúde do Trabalhador, foi uma das integrantes da CTNBio que deixaram a reunião. "Um grupo defende o desenvolvimento a qualquer custo, outro quer que ele ocorra, mas desde que resguardada a segurança", afirmou.

O presidente da CTNBio, Walter Colli, afirmou não ter nenhuma avaliação do protesto. "Um grupo estava descontente, deixou a sala. A reunião continuou e votações foram realizadas. Respeitamos todos os procedimentos."

À tarde, seis integrantes deixaram as salas antes de iniciada a votação de uma instrução normativa com regras de coexistência.

OESP, 17/08/2007, Vida, p. A18

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