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Criticada, Dilma propõe parceria ao MST

O Globo, País, p. 9
05 de Fev de 2013

Criticada, Dilma propõe parceria ao MST
Presidente pede que movimento ajude a cadastrar famílias pobres

ROGERIO FISCHER E LUCIANO BARROS
opais@oglobo.com.br

ARAPONGAS E CASCAVEL (PR) Ao lançar ontem em Arapongas, no Norte do Paraná, o programa Terra Forte, de apoio à agroindustrialização de assentamentos da reforma agrária, com investimento oficial de R$ 342 milhões, a presidente Dilma Rousseff propôs ao Movimento dos Sem Terra (MST) uma parceria para o cadastramento de famílias que vivem em extrema pobreza e que não têm acesso a programas como o Bolsa Família. Segundo o governo, são pelo menos 2,5 milhões de pessoas.
Em discurso para cerca de seis mil pessoas no assentamento Dorcelina Folador, em Arapongas, Dilma disse que nos dois últimos anos 19,5 milhões de pessoas saíram da extrema pobreza e que as demais famílias já cadastradas vão deixar essa situação até março.
- Peço aqui uma parceria com o MST no sentido de assegurar que nós cadastremos, no Bolsa Família e no Brasil Carinhoso, todas as famílias que ainda vivem na pobreza extrema no Brasil. Até o mês de março, nós vamos zerar o cadastro. No nosso cadastro não vai ter mais ninguém abaixo da pobreza extrema. Mas não podemos ficar satisfeitos apenas em zerar o cadastro. Temos de ir atrás dos que faltam. Ainda há famílias abaixo da linha de pobreza não cadastradas e muitos deles estão em assentamentos - disse Dilma.
Um pouco antes do discurso, a direção do MST entregou à presidente uma carta criticando a política de reforma agrária de seu governo. O documento diz que é necessário retomar a criação de assentamentos, e propõe a desapropriação de latifúndios e uma política de crédito específica para famílias assentadas. Em sua resposta, Dilma afirmou que, em seu governo, "a reforma agrária vai avançar".
Ela afirmou que pretende criar "uma classe média no campo" com investimentos em infraestrutura de produção e serviços básicos para os moradores:
- Vamos criar uma classe média do campo, uma classe média formada por pequenos proprietários, agricultores familiares e integrantes de assentamentos. Não há motivos para esse país, com a quantidade de riqueza que tem, ainda ter pessoas na pobreza.
Mais cedo, em visita ao Show Rural Coopavel, em Cascavel-PR, Dilma disse que, para funcionar, a reforma agrária depende do aporte de tecnologia.

O Globo, 05/02/2013, País, p. 9

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