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Crise mexeu com o mercado de recicláveis

OESP, Metrópole, p. C6
18 de jul de 2009

Crise mexeu com o mercado de recicláveis
China, maior importadora, deixou de comprar lixo da Europa; países passaram a acumular mais

Uma das suspeitas para o misterioso envio de lixo da Inglaterra para o Brasil pode estar no colapso do mercado de reciclagem britânico. Com a crise econômica, países como a China, o maior importador de lixo do mundo, deixou de comprar do Primeiro Mundo. Como resultado, pilhas de garrafas de plástico, latas de alumínio, papel, vidro e outros recicláveis se acumulam em países como EUA e Reino Unido.

"Com a crise, o mercado de reciclados diminui muito e a China deixou de comprar o lixo do Reino Unido, o que teve um efeito em cadeia. Os depósitos de material reciclável daqui (Londres) não têm mais capacidade de receber nem um alfinete", diz a engenheira brasileira Isabela Souza, especialista em meio ambiente e desenvolvimento, consultora de sustentabilidade e mudança climática da PricewaterhouseCoopers na Inglaterra e professora da Universidade de Londres.

Na China, o lixo reciclável é processado e retorna aos mercados originais - EUA e Inglaterra - em forma de embalagens ou é utilizado no país para a fabricação de carros e eletroeletrônicos ou na construção civil. Com a crise e o encolhimento da indústria, a demanda por reciclados diminuiu e mais da metade das usinas de reciclagem chinesas fechou, de acordo com o The Guardian.

Segundo o jornal britânico Daily Mail, a China comprava metade das 10 milhões de toneladas de recicláveis jogadas fora pela Inglaterra. A competição, nos últimos anos, com as usinas de reciclagem chinesas fizeram fechar muitas das usinas britânica. Tanto que apenas 4 milhões das 8,6 milhões de toneladas de papel produzido em todo o Reino Unido podem ser recicladas lá. O resto tem de ir para fora.

O efeito do acúmulo de lixo foi devastador. Em janeiro, a ONG Recycling UK alertou a imprensa britânica para o fato de que nenhuma das 80 usinas de reciclagem de papel na Inglaterra estava aceitando material e disse que a situação continuaria até 2010. Ele calculava já o acúmulo de 100 mil toneladas de lixo aguardando destinação em depósitos, uma pilha que cresce a uma velocidade de 8.300 toneladas por semana.

A discussão sobre a destinação de resíduos tem aquecido o debate entre ambientalistas britânicos. Muitos são contra a exportação de lixo reciclável. No lugar disso, sugerem a queima do lixo para gerar energia. Outros defendem que a exportação do lixo ajuda a aquecer as economias em países em desenvolvimento, como Índia e China.

Já a União Europeia acertou o corte de aterros em 50% até 2013. Councils ingleses (ou subprefeituras) recebem multas de 32 libras por tonelada por mandar material que poderia ser reciclado para os aterros. Alguns passaram a aplicar multas de até 200 libras aos contribuintes que contaminassem embalagens recicláveis com material inadequado, fazendo com que tivessem de ir para aterros.

"Uma questão boa para reflexão: as pessoas reciclam e é como se limpassem a sua consciência. Mas, o que elas deveriam estar fazendo é usar menos. Há um conceito da hierarquia dos 3Rs (reduzir, reutilizar e reciclar). Só que reduzir significa mudar os hábitos e valores, reutilizar é difícil, então o povo recicla e fica com a consciência limpa", diz Isabela.

Exportadoras são de brasileiro, revela site da BBC

Ontem, o site da BBC Brasil informava que duas empresas britânicas citadas pelo Ibama como as exportadoras dos contêineres de lixo encontrados no Brasil pertencem a um cidadão brasileiro. A Worldwide Biorecyclables Ltda. e a UK Multiplas Recycling Ltda. pertencem a Julio Cesar Rando da Costa, paranaense com cidadania portuguesa que mora em Swindon, na Grã-Bretanha. Ele se defendeu dizendo que a responsabilidade pelo lixo é de fornecedores britânicos com os quais trabalha. Diz que sua empresa faz apenas a prensagem de plástico recolhido por empresas britânicas e exporta a sucata.

OESP, 18/07/2009, Metrópole, p. C6

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